
A disputa presidencial de 2026 pode estar revelando uma mudança silenciosa no eleitorado mais estratégico da extrema direita brasileira.
Embora Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se mantenha estável na bolha extremista, os sinais de desgaste entre os evangélicos passaram a chamar atenção de analistas políticos após a repercussão dos áudios e revelações envolvendo o caso Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O alerta surge da comparação entre levantamentos realizados antes e depois da crise.
Em março, pesquisa Datafolha mostrava um cenário extremamente favorável ao filho de Bolsonaro entre os evangélicos.
O senador aparecia com cerca do dobro das intenções de voto de Lula nesse segmento, consolidando-se como herdeiro natural da base religiosa construída pelo pai ao longo dos últimos anos.
Naquele momento, o levantamento apontava o bolsonarista próximo da metade das preferências entre os evangélicos, enquanto Lula permanecia próximo de um quarto desse eleitorado.
O desempenho era considerado decisivo porque os evangélicos representam um dos grupos mais organizados e fiéis do campo conservador, funcionando como núcleo duro da campanha bolsonarista.
A situação começou a mudar após a divulgação das notícias envolvendo as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho apontou que o senador perdeu nove pontos percentuais entre os evangélicos, enquanto Lula avançou sete pontos no mesmo segmento.
Segundo o levantamento, o presidente passou de 24% para 31% das intenções de voto entre os eleitores evangélicos, reduzindo significativamente a distância que separava os dois adversários.
O movimento ocorreu justamente após semanas de repercussão nacional das informações relacionadas ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro e às investigações envolvendo o banco Master.
Embora nenhuma pesquisa permita afirmar uma relação direta de causa e efeito, a coincidência temporal entre a divulgação do caso e a queda registrada pela Quaest transformou o eleitorado evangélico em um dos principais pontos de observação da campanha.
Datafolha mostra resistência nacional
O aspecto mais curioso do quadro eleitoral é que o desgaste entre evangélicos ainda não provocou um colapso total da candidatura da extrema direita no agregado nacional.
A pesquisa Datafolha divulgada no final da semana passada mostra Lula liderando um eventual segundo turno por 47% a 43%, repetindo praticamente o cenário observado no mês anterior. No primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 31% do senador do PL.
Os números sugerem que Flávio conseguiu preservar parte de seu eleitorado geral mesmo após a crise.
No entanto, para estrategistas de campanha, o dado mais relevante não está no placar nacional, mas no comportamento dos evangélicos.
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