Falar de autoaceitação e autoamor não é um estímulo à obesidade! "É uma busca constante por dignidade", afirma Aline Zattar

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Falar de autoaceitação e autoamor não é um estímulo à obesidade! "É uma busca constante por dignidade", afirma Aline Zattar



A todo o tempo nos acusam de “romantizar a obesidade” quando trabalhamos a aceitação das nossas formas e amor-próprio. Por anos, os corpos gordos estiveram fora do padrão de beleza e perfeição mantidos e aceitos pela sociedade. Quando os ventos do feminismo tomaram amplitude e mulheres com curvas começaram um processo de compreensão e amor às suas curvas, as acusações de que estamos romantizando o ser gordo/obeso se intensificaram.

Neste contexto, entendemos a tentativa de desvalorização pela nossa luta de anos, já que seria duvidoso romantizar a falta de acessibilidade nos transportes públicos (e privados), a ridicularização sofrida dentro de consultórios médicos (onde devíamos ser acolhidos e não acusadas), a tentativa eminente de forçar o emagrecimento para solucionar o erro de não estar magro...


Não tem como romantizar a falta de acesso na poltrona no avião, no ônibus, na escola, ou seja lá onde for. Não tem como romantizar ser criticado, diminuído e xingado todos os dias de alguma forma por não se encaixar no padrão. Não tem como romantizar o bulling no colégio, o tratamento desigual por ter um corpo maior e ser excluído diariamente por não pertencer ao ideal.

Como romantizar um diagnóstico de que você não terá filhos, ou que a sua dificuldade é tão grande que não adianta nem tentar só porque você é gorda? Triste que, a partir da má informação munida de preconceitos, muitas mulheres acabam deixando de tomar medidas preventivas adequadas e engravidam super-rápido, (eu sou uma delas, sou super fértil), tendo um, dois, três filhos, sem tempo de respirar.


Logicamente, em alguns casos a obesidade pode sim interferir, mas também existem tantos outros problemas que não são pertinentes a um biotipo exclusivo... O foco exclusivo no emagrecimento é tido como a solução para todos os problemas do mundo, como se só as pessoas magras fossem saudáveis. E é como se esse fosse o único tipo físico perfeito e longe de todos os problemas de saúde! O que, após muitos estudos e comprovações, já sabemos que não é verdade.
Então, vemos claramente que não é a obesidade que é romantizada e, sim, a magreza.
Sempre me foi dito que quando eu fosse magra eu iria ser feliz, conquistar o amor, realizar todos os meus sonhos, ter uma família linda. Infelizmente, é isso que nos vendem todos os dias, a magreza como fonte de felicidade e sucesso pela qual vemos tantas pessoas se submeterem às práticas perigosas, à procura do corpo ideal e “pertencimento” à sociedade. A indústria se apropria das fragilidades femininas e trabalha a realidade da insatisfação congênita, fazendo com o que a mulher consuma desenfreadamente métodos “milagrosos” para alcançar a plenitude.
Hoje, vejo como consegui conquistar tantas coisas na minha vida sendo exatamente como eu sou: tenho dois filhos incríveis e uma carreira que me realiza. Não precisei ser magra para conquistar os meus sonhos e estar feliz na minha profissão. Realizo tantas coisas diariamente com o corpo que tenho e já cheguei a tantos lugares que nunca imaginaria... Eu posso movimentar o meu corpo sendo gorda, cuidar da minha saúde e estar em ação, mesmo não estando num padrão que dizem ser digno.
A busca pela realização pessoal nos é inerente e independe de estado físico, magro ou gordo. O amor-próprio muda a perspectiva da nossa vida e isso transforma a relação com o mundo. Quando se depende de um corpo para nutrir tal conquista, nada será o suficiente e palpável. Agora quando você está em paz consigo mesmo, quando a sua autoestima fala mais alto, a prática do autoamor se fortalece e você entende que nada tem a ver com o corpo magro padrão! Não existe romantização da obesidade, e sim uma busca constante por dignidade, direitos e respeitos mínimos a qualquer pessoa independente do seu corpo.
Seja gentil com você. Ame-se.


 



Além de influenciadora digital, modelo, vencedora do miss plus size 2013, Aline Zattar é mãe, linda, inspiradora e é uma mulher que aprendeu a se amar, depois de tantos anos ouvindo que o seu corpo estava fora do padrão

Autoestima e amor-próprio são essenciais para uma vida saudável (mental e fisicamente falando). Por isso, e por tantos outros motivos que vocês descobrirão ao longo do tempo, Aline Zattar é colunista da Máxima Digital.

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