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O PT, o companheiro Guedes e a agenda neoliberal da Covid-19

Perplexo, descubro que o PT votou no Senado, com Alcolumbre e Paulo Guedes, pelo congelamento nominal de salário e proibição de contratação no serviço público até o fim de 2021. Tal exigência torna-se ainda mais complicada caso a inflação dispare em 2021, na esteira de uma política de expansão monetária, já admitida por Guedes.
Por menos que eu esperasse do PT, não imaginava tanta covardia e pusilanimidade, ainda que disso, Dilma tenha nos dado tantos exemplos, como Presidente da República, implementando a política dos banqueiros em seu segundo mandato, que desatou a onda neofascista contra as esquerdas.


Ninguém do PT se levantou para defender as universidades públicas e Fundações, como a Fiocruz, que estão na linha de frente do combate à COVID-19. Por outro lado, os militares, representados apenas pelo Major Olimpio, conseguiram aprovar cláusula de exceção para si próprios.

O Brasil vai na contramão das tendências internacionais que apontam na direção da expansão do Estado e dos serviços públicos. Aqui se pretende que os servidores públicos paguem o custo da crise, ignorando um conjunto de instrumentos como taxação das grandes fortunas e dos bancos, uso de parte das reservas ou ampliação da atuação do Banco Central.

Inaceitável que a ciência e a educação, que estão entre os principais instrumentos de defesa social, sejam tratadas como variável de ajuste. Deveriam no mínimo encontrar no dito campo “popular e democrático” voz que as defendesse.

A tragédia social vai avançando a passos largos sem forças que ofereçam resistência.
Fascistas, liberais e social-democratas aceitam as exigências da coalizão burguesa que comanda a sociedade civil, lutando entre si para disputar sua preferência, que claramente oscila entre os dois primeiros.

Uma dita esquerda, que não acredita da força do povo, não merece este nome.

Resta ainda alguma esperança de posicionamento na Câmara.

Por Carlos Eduardo Martins


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