
Em entrevista concedida ao jornalista Leonardo Attuch na TV 247, o ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, fez uma análise profunda sobre o momento político brasileiro e o impacto global da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva. Para o líder socialista português, o mandatário brasileiro quebrou preconceitos históricos e demonstrou internacionalmente a competência da esquerda na condução do Estado democrático.
A competência da esquerda na gestão pública
Ao avaliar a trajetória e o modelo de governança de Lula, Sócrates enfatizou a capacidade administrativa demonstrada ao longo de seus mandatos:
“O presidente Lula mostrou ao mundo que a esquerda sabe governar. Mostrou desde o início àqueles que tinham preconceitos que a esquerda era capaz de conduzir uma governação bem-sucedida a favor do povo.”
O ex-premiê português recordou os avanços sociais históricos do país, ressaltando o combate à pobreza e a ampliação do acesso à educação como conquistas estruturantes. Segundo Sócrates, essa atuação desmonta as teses conservadoras que tentavam estigmatizar projetos progressistas como incompatíveis com a estabilidade institucional e o desenvolvimento econômico.
Compromisso democrático e diálogo institucional
Questionado sobre a governabilidade e a relação do Poder Executivo com o Congresso Nacional, José Sócrates defendeu a moderação política como pilar fundamental da democracia. Para ele, governar articulando com o Parlamento não significa afastar-se da população, mas cumprir a regra do jogo democrático:Moderação como valor: A capacidade de buscar compromisso institucional é o núcleo da democracia representativa, longe de qualquer postura revanchista.
Adversários, não inimigos: Sócrates destacou a necessidade premente de a política brasileira superar lógicas de confronto destrutivo e “transformar velhos inimigos em leais adversários”, construindo um terreno comum fundado na Constituição.
Respeito às regras do jogo: Ao definir o perfil social-democrata de Lula, observou que sua práxis aceita as regras de mercado, combinando-as com uma firme intervenção do Estado voltada à distribuição de renda e ao bem-estar social.
“Quem ganhou a eleição foi o mundo”
Ao comentar a dimensão internacional do Brasil, o ex-primeiro-ministro lusitano parafraseou versos de Vinícius de Moraes para resumir o significado geopolítico do processo político nacional: “Os brasileiros me desculpem, mas quem ganhou a eleição foi o mundo”.
Segundo Sócrates, o fortalecimento democrático no Brasil representou um freio decisivo na onda global da extrema-direita e na progressão do autoritarismo internacional. Ele pontuou ainda que o equilíbrio multilateral do planeta e o protagonismo do chamado Sul Global dependem diretamente da presença ativa e soberana do Brasil nos grandes fóruns, como o bloco dos BRICS.
A estatura histórica de uma liderança popular
Ao analisar a biografia de Lula, Sócrates sublinhou a singularidade do que chamou de “o carisma do combate”: uma carreira forjada na superação pessoal, na militância sindical e na capacidade de resistir a perseguições e prisões injustas para regressar democraticamente ao mais alto posto da República.
Para o estadista português, a inteligência política, a capacidade de liderar equipes e o espírito público consolidam Lula como uma das figuras públicas mais marcantes da política internacional contemporânea.
0 Comentários