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Reconvale Noticias | Lula em entrevista histórica: “Eu vou trazer de volta o grau de investimento”




 Em uma entrevista histórica e contundente concedida ao podcast Flow, gravada diretamente da residência oficial da Presidência da República e transmitida a poucos dias do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma ampla prestação de contas de seu mandato, confrontou adversários políticos e estabeleceu uma meta central para a estabilidade e o futuro do país: a retomada definitiva do grau de investimento pelas grandes agências internacionais de classificação de risco.
Com a franqueza que marca suas falas ao vivo, Lula contrapôs os indicadores da economia real à retórica dos críticos da austeridade cega. “Eu ganhei duas vezes grau de investimento quando governei. Sabe o que é aquele investimento grande que só quem é chique tem? Eu ganhei duas vezes e agora eu ainda vou ganhar”, cravou o presidente. “A nossa economia está bem cuidada, a inflação é a menor acumulada em quatro anos, temos desemprego recorde em baixa e vamos fechar o orçamento com superávit primário. O Lula não gasta à toa; só se faz dívida para gerar ativo produtivo.”
O que é o grau de investimento e por que ele é crucial?
O chamado grau de investimento (investment grade) funciona como um selo internacional de credibilidade e segurança emitido pelas principais agências mundiais de análise de risco  como Standard & Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch Ratings.
Na prática econômica global, os países são avaliados e classificados em duas grandes categorias:
Grau especulativo: Indica risco de calote (default) ou forte vulnerabilidade fiscal e cambial, exigindo juros muito mais altos para atrair capital e afastando fundos conservadores.
Grau de investimento: Certifica que o país possui fundamentos sólidos, capacidade garantida de honrar suas dívidas e estabilidade institucional e econômica.
O impacto direto na vida do povo e na produção
A importância desse selo vai muito além do vocabulário da Avenida Paulista ou de Wall Street. Os maiores fundos soberanos e fundos de pensão do planeta — que gerenciam trilhões de dólares — possuem estatutos estritos que proíbem terminantemente a aplicação de recursos em países que não tenham o grau de investimento.
Quando um país conquista esse selo:Entrada maciça de capital produtivo: Os recursos deixam de ser puramente especulativos (que entram apenas para lucrar com juros altos de curto prazo) e passam a financiar indústrias, ferrovias, transição energética e infraestrutura básica.
Queda no custo do crédito: O risco-país diminui sensivelmente, o que reduz as taxas de juros pagas tanto pelo Tesouro Nacional para rolar a dívida pública quanto pelas empresas brasileiras que captam empréstimos no exterior.
Câmbio mais estável e alívio na inflação: O fluxo contínuo de divisas fortalece a moeda nacional, reduzindo pressões sobre os preços de insumos importados, alimentos e energia.
O Brasil obteve a chancela histórica de grau de investimento pela primeira vez em 2008, durante o segundo mandato de Lula, após a quitação da dívida externa com o FMI e a construção do colchão de reservas cambiais. O país perdeu esse status a partir de 2015, em meio à paralisia política que culminou no golpe contra Dilma Rousseff e na deterioração fiscal dos anos seguintes. Agora, a promessa de resgate do selo sinaliza o fechamento de um ciclo de reconstrução.
A roda da economia: “Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza”
Durante a conversa com o apresentador Igor Coelho, Lula resgatou a filosofia que orientou suas gestões e que desafia o manual tradicional do liberalismo ortodoxo:
“Presta atenção numa frase que você não vai ouvir na Unicamp nem na Fundação Getulio Vargas: muito dinheiro na mão de poucos é pobreza; pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza. Quando o dinheiro circula na mão do povo, o trabalhador compra um pão a mais na padaria, compra um caderno pro filho, o comércio contrata e a fábrica produz. É assim que a roda gira.”
O presidente lembrou que o Brasil chegou a 2026 com taxa de desemprego em 5,3%, massa salarial recorde, ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a inflação sob controle.
Enfrentamento às bets e corte nas taxas de juros
Outro ponto de forte impacto na entrevista foi a postura dura de Lula em relação à indústria de apostas eletrônicas e ao endividamento das famílias. Lula explicou a recente Medida Provisória que impôs freio às plataformas:
“Eu tomei a decisão de acabar com essa peste porque ela estava empobrecendo e endividando o povo brasileiro. Vi casos estarrecedores de comerciantes e mães de família que perderam tudo. Não me interessa se deputados, times de futebol ou emissoras de televisão vão chiar. A minha obrigação é não deixar o dinheiro do feijão e do leite ser drenado pelo vício.”
Além do ataque à jogatina desenfreada, o chefe do Executivo mirou as taxas escorchantes cobradas pelo sistema financeiro, classificando os juros do crédito rotativo como criminosos e anunciando novos passos com o Banco Central para frear o envio indiscriminado de cartões de crédito e implementar a terceira etapa do programa Desenrola, voltada para a recompra com desconto de débitos populares.
Soberania e futuro: inteligência artificial, minerais e educação
Lula também delineou a estratégia de soberania para os próximos anos, destacando a necessidade de o Brasil não ser mero fornecedor de matérias-primas na nova economia global:Minerais Críticos e Terras Raras: Criação de diretrizes para industrializar o lítio e o nióbio dentro do país, atraindo parceiros sem subserviência diplomática a Washington ou Pequim.
Educação e Inclusão: A expansão de Institutos Federais, o fortalecimento do programa Pé-de-Meia para erradicar a evasão no ensino médio e a meta de levar o país a dezenas de milhões de cidadãos com formação técnica e universitária.
Independência Tecnológica: Investimento em inteligência artificial e supercomputação voltados aos interesses nacionais e à língua portuguesa.
Ao encerrar a histórica transmissão, Lula conclamou eleitores idosos e a juventude a participarem ativamente do pleito, defendendo a democracia contra o avanço do extremismo: “O país não tem saída sem educação e sem política. Quem não acredita na política tem que entrar nela para transformá-la por dentro. A dignidade não se compra em supermercado; ela se constrói na luta coletiva.”

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