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Empurrado por onda da direita, Flávio Bolsonaro passa ao 2º turno na frente de Lula



Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições presidenciais com 2,3 milhões de votos a mais do que Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição. O senador fluminense colheu os votos de uma onda bolsonarista, que promoveu a direita a um amplo domínio nas disputas estaduais, elegendo uma maioria expressiva também no Senado Federal e os dois deputados mais votados da história na Câmara.

No dia 25 de outubro, os brasileiros voltam às urnas para decidir entre Flávio Bolsonaro e Lula. Com 99,56% das urnas apuradas, às 21h44 desde domingo, 4, Flávio ficou à frente do petista por mais de 2 pontos percentuais, vencendo a primeira etapa do pleito por 47,12% a 45,05% dos votos válidos.

Augusto Cury (Avante) terminou com 2,90%; Renan Santos (Missão), com 2,25%; e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,19%. Os demais candidatos somados tiveram menos de 1%.

O resultado foi condizente com as principais pesquisas eleitorais divulgadas na véspera da votação, que indicavam um empate técnico entre os candidatos mais bem colocados.

Em discurso após a confirmação do segundo turno, Flávio Bolsonaro disse estar “muito feliz” com o resultado e falou em “fim da era do PT”.

“Está decretado o fim da era do PT, a mudança desse país. A era do PT que só está deixando como legado um recorde de mulheres assassinadas, de brasileiro endividados, de altos impostos, de desesperanças, de empresas fechadas. Eu estou muito feliz com a possibilidade real de daqui há 3 semanas o Brasil dar uma resposta definitiva”, disse o candidato do PL.

Lula, em sua primeira manifestação após a apuração dos votos, afirmou que o resultado foi “um pouco inesperado” e que seu adversário tem “suspeitas gravíssimas”.

“É uma biografia tenebrosa, com ligações tenebrosas, suspeitas gravíssimas, com relação aos milicianos, ao crime organizado, e também com relação ao Banco Master. Tudo isso vai ficar claro”, disse, acrescentando que a votação do dia 25 será “a prova dos nove”.

O primeiro turno da eleição presidencial vinha sendo tratado por analistas como uma antecipação do segundo turno, com Lula e Flávio muito à frente dos demais, que teriam sido desidratados em função do chamado “voto útil”.

No início da apuração, quando a contagem dos votos estava mais avançada nas regiões Norte e Sul, Flávio chegou a aparecer com mais da metade dos votos válidos, o que dispensaria a necessidade de segundo turno. No entanto, à medida que as urnas foram apuradas no Nordeste, Lula reduziu a vantagem, terminando cerca de dois pontos percentuais atrás. (Flávio e Lula /Foto: Pedro Kirilos e Werther Santana/Estadão).

A expectativa é que, na nova etapa da campanha, Flávio e Lula mantenham a polarização enquanto tentam atrair eleitores que votaram em Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado.

Onda à direita

O resultado de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da disputa presidencial ocorre em meio ao avanço da direita nos Estados. No Senado, o partido que elegeu a maior quantidade de candidatos foi o PL, com 16 cadeiras. Com isso, a legenda passará a ocupar 28, sendo a maior bancada da Casa.

Na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, os dois candidatos mais votados também pertencem ao partido. Reeleito, Nikolas Ferreira (PL), de Minas Gerais, se tornou o mais votado da história do País, com 3,1 milhões de votos. O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) também superou a casa dos 3 milhões para se tornar deputado federal.

Entre os 20 candidatos ao governo eleitos no primeiro turno, cinco são do PL: Jorginho Mello em Santa Catarina, Zucco no Rio Grande do Sul, Sérgio Moro no Paraná, Arthur Henrique em Roraima e Marcos Rogério em Rondônia.

Outros três pertencem ao Republicanos, também associado à direita: Tarcísio de Freitas em São Paulo, Cleitinho em Minas Gerais e Otaviano Pivetta, no Mato Grosso.

Por Renan Porto / Estadão

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