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Terremoto de magnitude 7,4 devasta regiões da Colômbia, mata mais de 100 pessoas e deixa rastro de destruição



Um violento terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), deixando ao menos 70 mortos. O número oficial de mortos foi atualizado para 111 posteriormente. O abalo derrubou prédios, danificou aeroportos e mobilizou operações de emergência nas regiões mais afetadas. O tremor também foi sentido no Panamá, no Equador e por moradores de Manaus, no Amazonas.
O terremoto ocorreu por volta das 7h34, no horário local — 9h34 em Brasília —, e foi classificado pelo Serviço Geológico Colombiano como o “mais forte da última década”. O epicentro foi localizado em San José del Palmar, município montanhoso da Cordilheira Ocidental.
Os primeiros balanços divulgados por autoridades locais confirmaram 18 mortes em Pereira, três em Manizales e cinco no departamento de Valle del Cauca. O total de vítimas continuava sendo atualizado à medida que novas informações chegavam das localidades atingidas.
Pereira, Manizales e Cali registram destruição
Pereira, situada a cerca de 50 quilômetros do epicentro, estava entre as cidades com os danos mais graves. Imagens divulgadas pela imprensa colombiana mostraram edifícios residenciais parcialmente destruídos. O prefeito Mauricio Salazar confirmou pelo menos 18 mortes no município.
Em Cali, terceira maior cidade da Colômbia, ao menos 20 prédios desabaram, segundo o prefeito Alejandro Éder. As informações disponíveis não apresentavam um balanço específico de vítimas nesses desmoronamentos.
Manizales, localizada a aproximadamente 100 quilômetros do epicentro, também sofreu danos expressivos. Uma das torres da catedral da cidade desabou durante o terremoto. Construído entre 1928 e 1939, o templo é considerado um dos principais símbolos arquitetônicos da região.

O prefeito Jorge Eduardo Rojas informou que mais de 12 edifícios e mais de 20 casas foram total ou parcialmente destruídos. A cidade também registrou vazamentos de gás e problemas no fornecimento de energia elétrica.


Segundo Rojas, todos os recursos disponíveis foram mobilizados para atender à população e procurar vítimas nos imóveis danificados. “Estamos sobrecarregados”, declarou. O prefeito classificou a situação como “muito trágica e muito difícil”.

Chocó relata feridos e danos em edificações

O departamento de Chocó, onde está localizado o epicentro, também registrou feridos e danos em diferentes construções. A governadora Nubia Carolina Córdoba-Curi afirmou que as autoridades começaram a avaliar os estragos para preparar um balanço oficial.

“Acabamos de passar por um grave evento sísmico no departamento de Chocó”, declarou a governadora.


Ela também manifestou preocupação com a possibilidade de novos abalos. “Estamos preocupados com os tremores secundários. Embora o epicentro tenha sido em San José del Palmar, na capital, Quibdó, há feridos e graves danos nas edificações. Já estamos realizando a avaliação dos danos para emitir o primeiro relatório oficial.”

San José del Palmar possui aproximadamente 5,9 mil habitantes. Pereira, Armenia e Manizales, capitais da chamada Região Cafeeira, estão entre os centros urbanos mais próximos do epicentro.

Prédios foram evacuados por precaução em Bogotá, Eje Cafetero, Tolima, Huila, Valle del Cauca, Manizales, Medellín e outras localidades. Depois do evento principal, dois tremores secundários, de magnitudes 2,8 e 4,8, foram registrados.

Terremoto ocorreu a 103 quilômetros de profundidade


O Serviço Geológico Colombiano calculou que o terremoto ocorreu a 103 quilômetros de profundidade, nível considerado intermediário.

O tremor foi sentido em praticamente toda a Colômbia e alcançou áreas do Panamá e do Equador, incluindo a província de Pichincha, onde fica Quito. Em Manaus, moradores afirmaram nas redes sociais que também perceberam os efeitos do abalo.

A Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres informou que o terremoto não representava ameaça de tsunami na costa colombiana do Oceano Pacífico.

Sete aeroportos suspendem operações

Mais de dez aeroportos colombianos foram afetados pelo terremoto. As operações foram suspensas em sete terminais para que equipes técnicas verificassem possíveis danos estruturais.

Os aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura foram incluídos no primeiro comunicado da Autoridade de Aeronáutica Civil. Posteriormente, o órgão confirmou que o terminal de Cali também havia sido danificado e teria suas atividades interrompidas.

A suspensão dos voos atingiu alguns dos principais acessos às regiões afetadas, enquanto autoridades avaliavam as condições das pistas, dos terminais de passageiros e das demais estruturas aeroportuárias.

Brasil e Estados Unidos oferecem apoio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou “solidariedade” à Colômbia e colocou o Brasil à disposição das autoridades do país vizinho.

“O Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio necessário”, escreveu o presidente. Segundo o Itamaraty, não havia brasileiros entre as vítimas até a divulgação do balanço.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington estava “preparado” para ajudar na resposta ao desastre.

De acordo com Rubio, “o governo Trump está acompanhando de perto o grande terremoto que atingiu a Colômbia”. O secretário acrescentou que os Estados Unidos “estão preparados para apoiar o povo colombiano e o governo do presidente Abelardo de la Espriella”.

Especialista explica movimentação das placas tectônicas

O presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos, Feliciano de Santis, afirmou que a relação entre o terremoto colombiano e os abalos que atingiram a Venezuela em 24 de junho é “muito indireta”.

“Na Venezuela e na Colômbia, compartilhamos a Placa Sul-Americana e a Placa Caribenha. Mas o que aconteceu na Colômbia foi que a Placa de Nazca ficou abaixo da Placa Sul-Americana”, explicou.

Segundo De Santis, não é possível afirmar que os eventos registrados nos dois países façam parte de uma sequência direta.

“A ligação entre os dois terremotos é muito indireta”, declarou. “Não se pode afirmar que toda vez que houver um terremoto na Venezuela, haverá outro lá em seguida. Mas é todo um sistema de placas interconectadas.”

O especialista comparou a estrutura tectônica a uma superfície dividida em diferentes partes, mas conectada por um mesmo sistema.

“É como a casca de uma tangerina que se rompe em vários lugares, e todas as partes estão interligadas. Talvez haja mais conexão do que pensamos, mas não podemos afirmar com certeza.”

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