
A Polícia Federal (PF) afirmou, em relatório enviado ao STF, que mensagens e documentos apreendidos na investigação sobre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam uma atuação conjunta com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em projetos de lei de interesse do banqueiro.
Segundo os investigadores, conversas de 2023 mostram que minutas de propostas legislativas eram retiradas da residência do senador, revisadas em um escritório indicado por Vorcaro e posteriormente encaminhadas ao gabinete de Ciro no Senado.
Para a PF, a dinâmica revela uma atuação “pouco usual” e uma relação marcada pela “convergência de interesses ilícitos” e pelo benefício mútuo.
O relatório também aponta que Vorcaro teria tomado medidas para evitar que os documentos fossem associados diretamente ao senador ou ao Banco Master.
Além da atuação em projetos legislativos, os investigadores destacam a proximidade entre os dois. Conversas obtidas pela PF mostram trocas de mensagens com expressões de amizade e registros de encontros e viagens internacionais.
Segundo a corporação, Ciro Nogueira teria recebido ao menos R$ 468 mil em benefícios econômicos, incluindo viagens e jantares em quatro países custeados por Vorcaro.
O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão em maio. Até o momento, sua defesa não se manifestou sobre as conclusões do relatório.
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