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Reconvale Noticias | Trump e Pezeshkian assinam acordo de paz que encerra a guerra entre Estados Unidos e Irã




 Os presidentes dos Estados Unidos e do Irã assinaram um acordo provisório para encerrar a guerra entre os dois países, mas o presidente estadunidense Donald Trump afirmou que poderá retomar os bombardeios caso Teerã não cumpra os compromissos assumidos. O entendimento, anunciado nesta quarta-feira (17), prevê uma extensão de 60 dias do cessar-fogo e abre caminho para negociações de uma trégua definitiva.

As informações foram publicadas pela Reuters, que teve acesso ao texto do memorando assinado digitalmente em inglês e em farsi pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Segundo autoridades dos dois países, o acordo já está em vigor.

Durante entrevista coletiva no encontro do G7 em Évian-les-Bains, na França, Trump adotou tom ameaçador ao comentar o compromisso firmado com Teerã. "Vamos bombardeá-los sem piedade se eles violarem o acordo", disse o presidente dos Estados Unidos. "Eu não quero que façam isso. Quero que honrem o acordo".

Em outra declaração, Trump afirmou: "Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a lançar bombas bem no meio da cabeça deles, está bem?".

Apesar das ameaças, o presidente estadunidense também elogiou os iranianos, chamando-os de "pessoas inteligentes", enquanto negociadores dos dois países trabalham em uma trégua permanente nos próximos 60 dias. Trump disse esperar que o acordo abra caminho para a paz no Oriente Médio e contribua para a queda dos preços do petróleo.
Acordo prevê fim da guerra e desbloqueio de ativos iranianos

O memorando de 14 pontos estabelece o fim imediato da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano, e prorroga por 60 dias o cessar-fogo anunciado em abril. O objetivo é permitir que Washington e Teerã negociem um acordo definitivo.

Entre os pontos centrais do texto estão a retomada plena do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, sem cobrança de taxas, o levantamento do bloqueio dos EUA a portos iranianos, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã, o desbloqueio de ativos iranianos e a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do país após a guerra.

O Irã também reafirma o compromisso de não construir armas nucleares, posição que seus governos dizem sustentar há décadas. Além disso, Teerã aceitou realizar, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, o rebaixamento no próprio território de seu estoque de urânio enriquecido. Trump, no entanto, havia defendido que esse material fosse retirado do país, o que o Irã rejeitou.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou à rede IRIB que não haverá cerimônia de assinatura na Suíça, uma vez que os dois presidentes já assinaram o documento. "Nenhuma cerimônia de assinatura será realizada na Suíça", disse.
Irã celebra resultado das negociações

Enquanto Trump mantinha o tom de ameaça, autoridades iranianas celebraram o acordo. O governo do Irã divulgou fotografias do que é apontado como o primeiro acordo assinado por presidentes dos dois países desde a fundação da República Islâmica, em 1979.

O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse à televisão estatal que a via diplomática produziu resultados superiores aos obtidos pela guerra. "Tudo o que buscávamos alcançar por meio da ação militar, obtivemos várias vezes mais por meio da negociação; não houve nem comparação", afirmou.

A guerra foi iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, assassinando no primeiro dia o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, além de comandantes militares. O conflito rapidamente se ampliou para uma crise regional, com mais de 7 mil mortos, principalmente no Irã e no Líbano.


A escalada também pressionou os preços da energia, reacendeu preocupações inflacionárias e provocou temores de uma crise de abastecimento alimentar em países em desenvolvimento.
G7 saúda acordo, mas cobra cessar-fogo no Líbano

Os líderes do G7 saudaram o entendimento entre Estados Unidos e Irã durante a cúpula realizada em Évian-les-Bains, às margens do Lago Léman. França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Itália, Canadá e Estados Unidos também pediram, em comunicado conjunto, um cessar-fogo imediato no Líbano.

O memorando prevê a suspensão das hostilidades entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. O conflito no Líbano já deixou milhares de mortos e deslocou mais de um milhão de pessoas.

Apesar do acordo, os combates no país não cessaram completamente desde domingo, quando o entendimento foi alcançado. Israel, que não participou diretamente das negociações, mantém tropas no sul do Líbano e afirma conservar o direito de usar a força.

A imprensa estatal libanesa relatou novos ataques aéreos e disparos de artilharia israelenses em várias cidades do sul do país ao longo da quarta-feira. Fontes de segurança libanesas também disseram que o Hezbollah lançou dois ataques com drones contra forças israelenses na região. O grupo, no entanto, não reivindicou publicamente as ações.

Israel afirmou posteriormente que cinco de seus soldados ficaram feridos em dois ataques de drones do Hezbollah no sul do Líbano.
Trump cobra Netanyahu por ofensiva no Líbano

Durante a cúpula do G7, Trump fez uma crítica moderada ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que vem se distanciando do acordo entre Estados Unidos e Irã. A divergência se concentra especialmente na atuação de Israel contra o Hezbollah no Líbano, tema considerado essencial por Teerã nas negociações.

"Netanyahu é um bom homem, mas às vezes fica um pouco empolgado", afirmou Trump. "Temos uma pequena divergência sobre o Líbano. Eu digo que você pode usar um toque um pouco mais suave, Bibi", completou, usando o apelido do premiê israelense.

Trump também disse: "Você não precisa derrubar um prédio toda vez que alguém do Hezbollah entra nele".

A declaração expõe uma tensão crescente entre Washington e Tel Aviv sobre os limites da ofensiva israelense no Líbano, embora os Estados Unidos continuem aliados centrais de Israel na região.
Petróleo recua com perspectiva de reabertura de Ormuz

O anúncio do acordo teve impacto imediato no mercado de energia. Os preços do petróleo voltaram a cair nesta quarta-feira diante da perspectiva de reabertura plena do Estreito de Ormuz, rota estratégica entre Irã e Omã para o transporte global de petróleo.

Os contratos futuros do Brent ficaram abaixo de US$ 80, o menor patamar desde o início da guerra. Mais tarde, os preços recuperaram mais de 1% após Trump ameaçar retomar a violência caso o Irã viole o acordo.

Embora o presidente dos Estados Unidos tenha apresentado o pacto como um passo rumo à paz, a Reuters aponta que Trump parece ter alcançado pouco do que disse buscar ao iniciar a guerra. O governo teocrático iraniano permanece no poder, o estoque de urânio altamente enriquecido não foi entregue, a capacidade de mísseis balísticos do Irã não foi destruída e Teerã não encerrou seu apoio a grupos contrários a Israel, como o Hezbollah.

Trump também recuou de sua promessa feita em fevereiro de destruir todos os mísseis iranianos e "arrasarem sua indústria de mísseis até o chão". Ao comentar a questão, afirmou que seria injusto impedir o Irã de possuir alguns mísseis se outros países também os têm. "Estou dizendo que, se outros países os têm, é um pouco injusto que eles não tenham alguns", disse a jornalistas em Paris, após deixar a cúpula.

Líderes europeus compartilham das preocupações dos Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano, mas nunca endossaram a decisão de Trump de entrar em guerra sem autorização das Nações Unidas. Também há preocupação de que o Irã tenha ampliado sua margem de negociação ao resistir aos ataques da superpotência e ao afirmar controle sobre o Estreito de Ormuz.

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