
A Polícia Federal avançou nas apurações da Operação Compliance Zero após a análise de mensagens e transações financeiras que teriam relação com investigados ligados ao setor bancário e a agentes públicos. O material faz parte de um conjunto de evidências reunidas na investigação que mira possíveis crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Entre os elementos citados em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estão conversas atribuídas ao secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia, Eduardo Mendonça Sodré Martins, além do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Em uma das mensagens analisadas, enviada em setembro de 2025, o secretário teria alertado o empresário sobre vencimentos financeiros iminentes. Na resposta, o empresário menciona dificuldades econômicas e relaciona o cenário à frustração de uma negociação envolvendo instituições financeiras, além de citar ajustes em documentos fiscais.
Pouco tempo depois dessa troca de mensagens, a investigação identificou uma transferência milionária entre empresas associadas aos investigados. Segundo a PF, cerca de R$ 3,5 milhões teriam sido movimentados entre uma empresa ligada ao grupo de Augusto Lima e outra vinculada a Eduardo Martins, em outubro de 2025.
Com base nesses indícios, o ministro relator autorizou a execução de 18 mandados de busca e apreensão em diferentes estados, incluindo Bahia, São Paulo e Distrito Federal. As medidas também incluíram restrições como a proibição de contato entre investigados e a suspensão de passaportes.
A operação investiga suspeitas de práticas como corrupção ativa e passiva, além de possíveis esquemas de lavagem de dinheiro. Durante o cumprimento das ordens judiciais, agentes apreenderam valores em moeda estrangeira em endereços ligados ao senador Jaques Wagner, tanto em Brasília quanto na Bahia.
A Polícia Federal sustenta que mensagens, documentos e registros financeiros analisados fazem parte do conjunto probatório que embasa o avanço da investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo empresários e agentes públicos.
Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as medidas adotadas foram excessivas e negou qualquer irregularidade, sustentando que todas as operações financeiras do cliente ocorreram dentro da legalidade.
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