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Reconvale Noticias | El Niño começa se formar e acende alerta para secas, enchentes e ondas de calor no Brasil



A semana começou com chuvas em diversas áreas da região Sudeste. Climatologistas ainda não são contundentes em afirmar que já se trata de um efeito do fenômeno El Niño, que teve início, segundo comunicado feito pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) na última quinta-feira (11). No entanto, a situação acende um sinal de alerta para os próximos meses.

Previsões de diversos centros meteorológicos internacionais indicam que o fenômeno pode ganhar força até o final do ano e aumentar os riscos de secas, enchentes, incêndios florestais e ondas de calor. Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre novembro e janeiro. Alguns modelos climáticos apontam inclusive para a possibilidade de um dos eventos mais intensos já registrados.

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica global e interfere diretamente nos regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

No entanto, especialistas alertam que os efeitos do fenômeno ocorrem hoje em um contexto muito diferente daquele observado décadas atrás. O planeta já enfrenta um acelerado processo de aquecimento global, resultado das emissões de gases de efeito estufa, do desmatamento e da exploração predatória do capitalismo dos recursos naturais.

Impactos podem ser severos

A memória recente mostra o potencial destrutivo da combinação entre El Niño e crise climática. Entre 2023 e 2024, o Brasil enfrentou uma seca histórica na Amazônia, queimadas em larga escala e as enchentes que devastaram dezenas de cidades do Rio Grande do Sul.

Agora, os órgãos de monitoramento voltam a demonstrar preocupação. De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o novo El Niño pode reduzir significativamente as chuvas na Amazônia, favorecendo o agravamento das secas e aumentando o risco de incêndios florestais.

Em nota técnica, o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) aponta que as regiões Norte e Nordeste tendem a registrar menos chuvas e temperaturas mais elevadas. Já no Sul do país, a tendência é de aumento dos volumes de precipitação, elevando o risco de enchentes, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra.

O documento destaca ainda que o Rio Grande do Sul apresenta os sinais mais preocupantes para a ocorrência de chuvas intensas, enquanto Santa Catarina e Paraná também devem enfrentar condições favoráveis a desastres associados ao excesso de precipitação.

Mais calor e mais incêndios

Outro efeito esperado é o aumento das ondas de calor. Estudos do Cemaden mostram que esses eventos vêm se tornando mais frequentes e duradouros nas últimas décadas. Em anos de El Niño, essa tendência costuma se intensificar.

A combinação entre calor extremo, baixa umidade e redução das chuvas pode ampliar o risco de incêndios na Amazônia e no Pantanal, além de provocar impactos à saúde da população, especialmente entre idosos, crianças e trabalhadores expostos ao calor intenso.

Preparação é urgente

Diante desse cenário, o Cemaden recomendou que governos e órgãos públicos reforcem imediatamente as medidas de prevenção. Entre as ações sugeridas estão o fortalecimento dos sistemas de monitoramento climático, a manutenção dos equipamentos de alerta, a identificação de áreas vulneráveis e a integração entre Defesa Civil, serviços meteorológicos e gestores de recursos hídricos.

O meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden, também defende a elaboração de planos de contingência para enchentes, secas e ondas de calor. As recomendações incluem definição prévia de rotas de fuga, locais para abrigar famílias atingidas e criação de espaços públicos climatizados para proteger a população durante períodos de calor extremo.

Crise climática expõe limites do modelo atual

Embora o El Niño seja um fenômeno natural, seu potencial destrutivo vem sendo amplificado por uma crise climática que tem origem na ação humana. Cientistas alertam que o aquecimento global aumenta a intensidade dos eventos extremos e torna mais frequentes situações antes consideradas excepcionais.

O fato é que enquanto governos e grandes empresas anunciam metas ambientais que não combatem o modo de produção capitalista predatório, secas, enchentes, queimadas e ondas de calor seguem afetando milhões de trabalhadores e populações vulneráveis. O avanço da devastação ambiental, impulsionado pela busca incessante por lucro, agrava um cenário que já coloca em risco ecossistemas inteiros e a própria qualidade de vida das futuras gerações.

Por isso, o combate à crise climática é uma tarefa que precisa ser tomada pela classe trabalhadora e suas organizações, em uma luta classista e independente de governos e patrões, para deter a destruição que o capitalismo está impondo ao planeta.
                                              Fonte : Cspconlutas

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