
Denúncias de água contaminada, animais mortos e problemas de saúde entre indígenas levaram o Ministério Público Federal (MPF) a ampliar as investigações sobre possíveis danos ambientais na terra indígena waimiri atroari, em Presidente Figueiredo.
O órgão determinou que a Polícia Federal (PF) abra inquérito para apurar se as atividades da Mineração Taboca têm relação com alterações registradas em rios e igarapés da região.
A investigação criminal permitirá perícias, coleta de amostras, oitivas e outras diligências para esclarecer a origem da contaminação. Paralelamente, o MPF mantém um inquérito civil sobre o caso.
Exames contratados pela Associação Comunidade Waimiri Atroari (ACWA) identificaram concentrações elevadas de alumínio, chumbo e mercúrio nos rios Tiaraju e Alalaú e no igarapé Jacutinga. Segundo o laudo, um dos pontos analisados apresentou nível de alumínio 37 vezes acima do limite permitido pela legislação.
Além da PF, o MPF requisitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) uma vistoria detalhada no complexo minerário e nos cursos d’água atingidos.
Relatos apresentados por lideranças indígenas apontam mudanças na cor e no sabor da água durante períodos chuvosos. Moradores também relataram a morte de peixes, peixes-boi e quelônios, além de casos de alergias e problemas de pele.
A Mineração Taboca nega responsabilidade pelos danos. A empresa afirma que os parâmetros da água permanecem dentro dos padrões legais e atribui o excesso de sedimentos a chuvas intensas registradas em abril.
Mesmo negando irregularidades, a mineradora firmou um acordo com a associação indígena que prevê repasses superiores a R$ 12 milhões para ações de apoio e alimentação. O Ministério Público destacou que o acordo não interfere nas investigações ambientais e criminais em andamento.
A Polícia Federal e o Ibama têm prazo de 30 dias para apresentar os primeiros resultados das diligências solicitadas pelo MPF.
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