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Amazônia: indígenas no Amapá têm alta contaminação por mercúrio de garimpo

Um estudo realizado no município de Oiapoque, no Amapá, identificou que 50% dos indígenas analisados apresentam níveis de mercúrio iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, patamar considerado elevado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A contaminação está associada ao consumo de peixes afetados pelo garimpo ilegal na região.
O levantamento foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), com base em 192 amostras de cabelo de indígenas das etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kali’na.

A exposição ao mercúrio pode causar danos neurológicos, perda de memória, tremores, alterações motoras e complicações durante a gestação. Os dados mostram que a contaminação se acumula ao longo da vida e atinge principalmente a população mais velha.
Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas de saúde e de maior fiscalização para combater os impactos do garimpo ilegal.
“As consequências da contaminação pelo mercúrio atingem a todos, não só aqueles que estão no garimpo. Todos saímos prejudicados. Por isso é importante ainda fazer novos testes e ampliar a discussão sobre isso nas nossas terras”, afirmou Janina Karipuna, presidente da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM).
Pesquisas anteriores do Iepé também identificaram a presença de mercúrio em peixes comercializados na região Norte.

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