
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (2), durante evento em Salvador, que o governo vai anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado pela Petrobras, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% acima dos valores praticados na tabela da estatal.
"É uma vergonha. Contra a vontade do governo e da presidenta da Petrobras (Magda Chambriard). Não sei nem quem é que fez o leilão e aumentou em 100% o ágio. Não vamos deixar o preço do gás chegar em vocês. Vamos anular o leilão", disse o presidente, de acordo com o UOL.
Em seu discurso, Lula também criticou o processo de privatização da BR Distribuidora e anunciou que o governo trabalha para recomprá-la. "Estamos fazendo um esforço muito grande para fazer a compra de uma BR", disse, lembrando que, em seu primeiro mandato, o governo adquiriu a Liquigás justamente para regular a distribuição do gás no país. "Quando eu assumi, em 2003, eu tinha comprado a Liquigás, que era pra gente regular a distribuição de gás. Sabe o que eles fizeram? Venderam", completou.
A venda da Liquigás ocorreu em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando a Petrobras concluiu a transferência de sua participação total na distribuidora para um consórcio formado pela Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás.
Medidas
Diante da pressão sobre os preços do GLP, o governo federal prepara um pacote emergencial de medidas para conter a alta e proteger as famílias da escalada dos combustíveis. As ações em análise incluem subsídios, fiscalização e monitoramento de preços, com foco especial nas camadas de menor renda.
O pacote se soma ao programa Gás do Povo, que garante recargas gratuitas de botijões a famílias cadastradas em programas sociais. A iniciativa prevê o atendimento de cerca de 15 milhões de famílias e a distribuição de até 65 milhões de recargas por ano, funcionando como uma rede de proteção direta para os brasileiros mais vulneráveis ao impacto da alta dos combustíveis.
A previsão também é a de que o governo publique, nesta semana, uma medida provisória (MP) que cria um subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro. A guerra dos EUA contra o Irã encarece o combustível, especialmente o óleo diesel, no caso brasileiro. O país importa cerca de 30% do que consome no mercado interno.
Guerra
O contexto internacional agrava o cenário doméstico. A guerra eclodiu em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã sob a alegação de que Teerã desenvolvia armamento nuclear. A Organização das Nações Unidas contestou a justificativa americana e declarou não existir provas concretas de que o governo iraniano tenha produzido bombas nucleares.
Uma das consequências mais imediatas do conflito foi o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem estratégica que conecta o Golfo Pérsico ao restante do mundo e ocupa posição central no sistema energético global. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta transitava por ali, além de uma quinta parte dos embarques de gás natural liquefeito e um terço do fertilizante mais usado no mundo. Com a passagem interditada, grandes produtores da Opep — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — perderam acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, Europa e Américas, empurrando o barril de petróleo para acima dos US$ 100.
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