
ASegunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta sexta-feira (13) o julgamento sobre a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, medida determinada pelo ministro André Mendonça em 4 de março. A decisão, que levou o banqueiro para o presídio federal de Brasília, ocorre em meio a investigações que apontam seu envolvimento em crimes financeiros com fraudes bilionárias, pagamentos ilícitos a agentes públicos e a criação de uma milícia privada para monitorar autoridades e intimidar jornalistas.
O desenrolar da sessão virtual, que se estende até o dia 20 de março, tem despertado apreensão entre políticos do centrão e bolsonaristas. Para investigadores, a manutenção da prisão aumenta significativamente as chances de que Vorcaro aceite colaborar com a Justiça em uma delação premiada, o que poderia expor a rede de contatos do banqueiro e revelar a influência de aliados políticos e ex-ministros ligados ao clã Bolsonaro.
Temor de revelações
A pressão sobre a Segunda Turma do STF é visível nos bastidores. Parlamentares e ex-ministros próximos a Vorcaro fazem esforço para tentar garantir a soltura do banqueiro, apostando na possibilidade de empate na votação — situação que favoreceria a defesa. Entre os nomes citados nas investigações ou em mensagens atribuídas ao empresário estão figuras com trânsito no centrão e no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Aliados do ex-presidente acompanham o julgamento com preocupação diante da possibilidade de que uma eventual delação exponha relações políticas e financeiras. Entre os casos mencionados está o do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e maior doador da campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Também aparecem nas apurações nomes de ex-ministros e políticos que mantiveram interlocução com o banqueiro.
No STF, o julgamento ocorre com três ministros aptos a decidir o caso — Gilmar Mendes, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques — após a declaração de impedimento de Dias Toffoli. Embora Mendonça tenha determinado a prisão e defenda a medida para preservar as investigações, ainda há incerteza sobre os votos dos demais integrantes do colegiado. Em caso de empate, a decisão favorece Vorcaro.
A investigação, conduzida pela PF na Operação Compliance Zero, já resultou na prisão de outros três envolvidos, incluindo Fabiano Zettel.
Para os investigadores, apenas uma colaboração formal de Vorcaro poderia esclarecer completamente a dimensão do esquema. A avaliação é de que a delação do personagem central do caso poderia abrir novas frentes de investigação envolvendo autoridades públicas e conexões políticas do banqueiro.
Levantamento da Quaest indica que o escândalo do Banco Master já ganhou ampla repercussão pública. Segundo a pesquisa, 65% dos brasileiros dizem ter conhecimento da prisão de Vorcaro e 67% afirmam que o caso terá influência na escolha de candidatos nas eleições de outubro.
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