
A entrada de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, no PSD, onde deve ganhar a disputa com Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR) para concorrer à presidência da República, promoverá provavelmente uma grande reviravolta política na Bahia, onde o senador Angelo Coronel (PSD) pode deixar a condição de patinho feio excluído pelo PT da chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para dar as cartas na sucessão estadual.

Com Caiado como candidato a presidente, o PSD pode até fazer uma concessão, permitindo que o senador Otto Alencar vote em Lula na Bahia, mas certamente não negará a Coronel o direito de concorrer à reeleição. Pelo contrário, deve estimular a candidatura do senador numa coligação com o candidato das oposições ao governo, ACM Neto, que já assumira o compromisso de apoiar Caiado à Presidência quando ele ainda estava no União Brasil.(Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Para aliados próximos, Neto também pode condicionar apoio ao nome de Caiado ou eventualmente ao de outro candidato do PSD a uma coligação com o partido de Kassab na Bahia que inclua a candidatura à reeleição de Coronel em sua chapa.
“Neto pode muito bem dizer que vota no candidato do PSD a presidente desde que Coronel seja candidato a senador em sua chapa numa coligação com o PSD na Bahia com ele”, diz importante apoiador do ex-prefeito de Salvador.
A Operação Caiado-PSD aponta, a priori, para a consolidação de três candidaturas no campo da oposição ao presidente Lula em outubro – a do PSD, que pode ser encabeçada por ele, por Ratinho ou Leite, a do Novo, a ser liderada por Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e a do PL, com Flávio Bolsonaro – com igual impacto na Bahia e repercussão favorável à candidatura de Neto ao governo.
Pelos cálculos dos netistas, com Zema apoiado pelo candidato a governador José Carlos Aleluia, o nome do PSD respaldado por Neto e Flávio concorrendo em articulação com João Roma, um dos candidatos ao Senado na chapa do ex-prefeito, dificilmente Lula terá forças para catapultar a candidatura de Jerônimo à reeleição, como fez na sucessão de 2022. Naquela eleição, Neto, inclusive, teve 20% dos votos lulistas no Estado.
Risco sim
Sob o impacto da filiação de Caiado, Otto tem buscado dizer a correligionários e aos petistas, que não corre o risco de perder o comando do PSD no Estado, mas não consegue negar que o movimento fortaleceu a posição de Coronel em detrimento da dele, restando-lhe apenas, até agora, o direito de apoiar Lula e Jerônimo. Para reforçar que sua posição não é mais a de senhor da legenda na Bahia, está o histórico de cinco intervenções feitas por Kassab em estados nos últimos meses.
Antes do movimento de Caiado, aliados de Coronel traçavam cenário em que ele poderia deixar o PSD até março e migrar para a oposição. Se o movimento se confirmasse, o destino estaria praticamente definido: o União Brasil. A discussão acontecera com Neto, diante da avaliação dos riscos de concorrer em um partido que caminhava para seguir aliado ao PT. Uma vez na oposição, seria eleitoralmente mais interessante para Coronel vestir a camisa do 44. Mas veio o destino e…
Fonte: Politica Livre
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