
Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) deu de ombros para a pressão exercida por Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) para pautar a anistia a Jair Bolsonaro (PL) e, via redes sociais, enviou mensagem à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmando que vai atender o presidente Lula e colocar em votação a proposta do governo que isenta pessoas que ganham até R$ 5 mil no Imposto de Renda.
"Conversei agora com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e informei que o compromisso da Câmara é votar a matéria que amplia a isenção do imposto de renda via PL 1087/2025, de relatoria do deputado Arthur Lira. Há um entendimento da Casa que é uma prioridade para o Brasil e os brasileiros", afirmou Motta.
A publicação revela que o presidente da Câmara não vai ceder à pressão de Tarcísio, que chegou a pedir ajuda para o presidente do Republicanos, o deputado e bispo licenciado da Igreja Universal Marcos Pereira, para a empreitada.
Na rede, Motta ainda afasta a especulação plantada por quadros do PP, de Ciro Nogueira e Arthur Lira, no jornal O Estado de S.Paulo, o Estadão, de que o governo Lula estaria cogitando decretar uma Medida Provisória sobre o tema diante da demora na votação do projeto de lei.
A declaração acontece em meio à reunião convocada por Gleisi Hoffmann com ministros para organizar o levante de Lula contra o golpe de Tarcísio.
Nas redes, Gleisi citou o compromisso de Motta e do presidente do Senado, David Alcolumbre, com o governo Lula diante dos achaques dos bolsonaristas.
"Tivemos hoje uma boa reunião com ministros de partidos da base do governo no Congresso, para tratar da agenda legislativa até o final do ano. Todos concordamos em fortalecer as pautas da isenção do IR até R$ 5 mil, as MPs da redução da conta de luz, do Gás do Povo, a PEC da Segurança Pública, entre outras. Esta é an agenda que dialoga com os interesses do país e do povo, em consonância com o que vêem afirmando os presidentes Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Vamos trabalhar juntos para que esta agenda avance: trabalhar pelo Brasil e pelo povo brasileiro!", escreveu.
Principal aposta da terceira via, Tarcísio rasgou a fantasia de "moderado" e se alinhou à ala do Centrão que busca antecipar a corrida ao Planalto. Após as negociatas, Ciro Nogueira e Antônio Rueda, presidentes do PP e União Brasil - federação que comanda a maior bancada, de 109 deputados, na Câmara e 15 senadores - anunciaram a adesão à anistia e mandaram os ministros desembarcarem do governo.
Além disso, o golpe de Tarcísio, que visa arrebanhar o eleitorado extremista de Bolsonaro, conta ainda com uma parcela do PSD, de Gilberto Kassab, e do Republicanos - seu partido - que também têm assentos no governo.
Gleisi convocou para reunião nesta segunda-feira todo o ministério, mas enfatizou a presença dos ministros das três siglas, em especial os ministros do Turismo, Celso Sabino (União-PA), e do Esporte, André Fufuca (PP-MA), além de Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira (Comunicações), do União Brasil.
Os quatro, até o momento, ignoraram as ordens da federação e seguem despachando normalmente. Os ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca e Aquicultura), do PSD de Kassab; além de Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), do Republicanos, que já avisou que estará com Lula em 2026, abrindo divergência na sigla comandada pela Igreja Universal, de Edir Macedo.
Na reunião, Gleisi deu o recado enviado por Lula: todo o governo terá que se mobilizar sobre o Congresso contra a pressão de Tarcísio pela anistia a Bolsonaro.
Os ministros, especialmente dos partidos do Centrão, foram orientados a conversar com parlamentares em um corpo a corpo para colocar o foco nas pautas do governo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, além das Propostas de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e medidas provisórias, tirando o foco da anistia.
Após participar ao lado de Lula das comemorações do 7 de Setembro, em Brasília, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), principal alvo de Tarcísio, mandou recado pelas redes sociais, sinalizando que vai priorizar pautas que "ajudem a fazer um país sempre mais integrado e justo".
"A Câmara trabalha para que todos sejam cada vez mais independentes, caminhem com as próprias pernas, sejam donos do próprio destino e ajudem a fazer um país sempre mais integrado e justo", escreveu.
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