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Reconvale Noticias | VÍDEOS – Base do governo desmente bolsonaristas sobre acordo com Motta para votar anistia: "Perderam"

 Líderes da oposição teriam inventado suposto acordo com presidente da Câmara para não saírem como derrotados diante da opinião pública após obstrução



Deputados da base do governo Lula na Câmara desmentiram na noite desta quarta-feira (6) a informação divulgada por parlamentares bolsonaristas de que haveria um acordo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pautar o projeto de anistia aos golpistas do 8 de janeiro.
Após mais de 30 horas, Motta conseguiu retomar o controle da Câmara após a obstrução golpista deflagrada pela extrema direita. Parlamentares bolsonaristas invadiram a Mesa Diretora e obstruíram os trabalhos.
O objetivo era impor, na marra, a votação da anistia aos golpistas, enquanto no Senado a oposição paralisava a pauta para pressionar o presidente da casa legislativa, Davi Alcolumbre (União-AP), a votar um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambas as iniciativas visavam livrar Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, de uma condenação por tentativa de golpe de Estado.


A retomada dos trabalhos na Câmara foi precedida por reuniões entre Motta e lideranças do governo e da oposição. Logo após a desobstrução, bolsonaristas anunciaram "vitória" pois, segundo eles, teriam chegado a um acordo com o presidente da Câmara para que o projeto de anistia aos golpistas seja colocado em votação na próxima semana.

O primeiro anúncio sobre a suposta negociação partiu do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).

"Temos uma vitória aqui hoje (...) Foi feito um acordo conosco pra na semana que vem já começar a pautar. Acabar com o foro privilegiado. Começar a defender as prerrogativas do Congresso Nacional, dos parlamentares, perante o STF e a anistia. Então, é uma grande vitória. Na semana que vem, vamos cobrar", disse, diretamente da Mesa Diretora da Câmara.

O suposto acordo também foi anunciado pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante.

“Nós construímos compromisso com essa liderança de que pautaremos nesta Casa a mudança do foro privilegiado, para tirar a chantagem que deputados e senadores estão sofrendo por parte do STF. Junto com o fim do foro, vamos pautar a anistia. Esse foi o acordo feito”, declarou.

Segundo parlamentares da base do governo, entretanto, tal acordo com Motta para pautar a anistia aos golpistas não existe.
Desmentido

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias, participou das reuniões de Motta com as lideranças das bancadas e garantiu que não houve qualquer acordo para pautar a anistia, desmentindo os bolsonaristas.

Parlamentares da extrema direita, segundo o petista, teriam inventado o suposto acordo para não saírem como derrotados diante da opinião pública após a obstrução.


"Primeiro ponto: eles perderam, tiveram que sair da mesa. Segundo ponto: não houve nenhuma negociação com esse pessoal que estava fazendo chantagem. Participei de todas as reuniões, participei do Colégio de Líderes, de todas as negociações. Não vamos votar à anistia. Isso tá fora. Eles falam isso aqui porque estão tentando criar uma justificativa para base deles, pois tiveram que recuar", afirmou Lindbergh em coletiva de imprensa.

O parlamentar ainda anunciou que seu partido representará no Conselho de Ética contra os bolsonaristas que invadiram a Mesa Diretora e paralisaram os trabalhos na Câmara.

"Terceiro ponto: não dá para passar a mão na cabeça em quem fez isso. Esse discurso, esse pessoal que ocupou à força, impediu a realização dos trabalhos aqui na Câmara e no Senado, vai ter que ir para o Conselho de Ética. Nós vamos representar. Nós temos todos eles aqui anotados, a participação de cada um", anunciou.

Veja vídeo: 




Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Alencar Santana Braga também esteve presente nas reuniões de líderes com Hugo Motta e garantiu que não há o acordo ventilado pela oposição de pautar a anistia.

"Em nenhum momento [o projeto de anistia] entrou nessas pautas. O presidente [Hugo Motta], na reunião do Colégio de Líderes, foi muito claro que não negociaria. Agora, eles [a oposição] estão tentando uma desculpa, a turma que saiu derrotada, jogando para sua base, tentando plantar uma informação falsa, mas um golpe na base deles, nessa Casa e no país", pontuou.

"Falei na novamente com o deputado Hugo Motta agora por telefone, ele reafirmou que em nenhum momento, em nenhum momento cedeu a essa pressão, a essa tentativa de chantagem, que não há compromisso algum com o avanço dessa pauta [a anistia]", emendou Alencar.

Assista:

O recado de Hugo Motta a bolsonaristas 

Após mais de 30 horas de uma obstrução ilegal e golpista por parte de parlamentares da extrema direita, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), retomou o controle do plenário na noite desta quarta-feira (6) e mandou um recado direto aos bolsonaristas: “Não vamos permitir que atos como esse sejam maiores que a vontade desta Casa.”

A sessão foi aberta às 22h30, depois de intensa obstrução promovida por aliados de Jair Bolsonaro, inconformados com a decisão judicial que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente. O grupo tentou sequestrar o funcionamento da Câmara e impor, na marra, uma pauta antidemocrática que incluía anistia irrestrita a golpistas condenados pelos atos de 8 de janeiro e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

A ocupação do plenário, com cenas de tumulto e tentativas de intimidação, expôs mais uma vez o golpismo da extrema direita. Ao retomar os trabalhos da Câmara e anunciar o fim da obstrução, Motta afirmou que a Casa não será palco de chantagens em prol de interesses pessoais – em recado direto a bolsonaristas. 

“Projetos individuais ou até eleitorais não podem estar acima do que é maior que todos nós: o povo brasileiro”, afirmou o presidente da Câmara. 

Assista:

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