Ultimas Noticias

6/recent/ticker-posts

Reconvale Noticias | O 'pacto secreto' que levou o clã Bolsonaro a atacar governadores e chamá-los de “ratos”

Ratos. Foi assim que Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o filho mais descompensado e histriônico de Jair Bolsonaro (PL), chamou os governadores de extrema direita que vêm se lançando como pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, Zema (Novo), de Minas Gerais, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e até o “polido e educado” Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Esses foram os alvos da fúria de Carluxo, que ainda viu sua postagem ser compartilhada e turbinada pelo irmão Eduardo Bolsonaro, o traidor lesa-pátria que opera dos EUA para atacar o próprio país com a ajuda de Donald Trump.
Entretanto, tal notícia não é nova. O chilique ensandecido de Carlos, ocorrido há alguns dias, não foi uma simples reação de quem notou que muitos quadros políticos de diferentes partidos querem se beneficiar do espólio eleitoral do ex-presidente extremista que está inelegível, em prisão domiciliar e prestes a ser condenado e enviado à cadeia. Isso, o próprio Carluxo disse em sua publicação nas redes sociais. O buraco é mais embaixo.
A Fórum ouviu alguns interlocutores na extrema direita para saber o que efetivamente produziu a crise de cólera na “família real da extrema direita” do Brasil e apurou que todos os citados acima teriam selado uma espécie de pacto para lidar com o complicado ambiente que se instalou a partir da situação crítica de Jair Bolsonaro. Sim, eles querem os votos de Bolsonaro, mas querem ver o antigo ocupante do Palácio do Planalto pelas costas. Alguns até o odeiam visceralmente.
Para se manterem minimamente no páreo, todos esses governadores precisam “permanecer bolsonaristas”. Ou seja, vão precisar seguir dizendo que o pífio e bizarro líder é “o grande sol da direita brasileira”, ainda que reconheçam internamente que se trata de uma figura repugnante, autoritária e insuportável para quase todos nos meios de poder, que detém uma espécie de “poder divino” para direcionar o seu gigantesco eleitorado que beira os 40% da população. Quando Bolsonaro lança um nome em desgraça, é o fim político daquele sujeito, então, é necessário seguir com a bajulação.
Caiado, Ratinho Júnior, Zema, Tarcísio e até Leite têm um combinado. Em todos os eventos que comparecerem a partir de agora, sozinhos ou em grupo, a ordem é seguir com o rosário de abobrinhas (de forma atenuada) que unificou os setores conservadores e reacionários do eleitorado nacional nos últimos anos, mas sem entrar em aspectos da dita “guerra cultural”, e também sem citar o nome de Jair Bolsonaro. Apenas se perguntados, devem então reagir repetindo o mantra que “é uma vergonha Bolsonaro não estar na eleição” e que ele “é o líder da direita brasileira”. Só.
Esses governadores tentam cacifar seus nomes para a corrida ao Planalto do ano que vem se aproximando do eleitorado fanático e imbecilizado de Bolsonaro, de forma a não os contrariar, mas sem entrar no “modo seita”, como Carluxo e Eduardo Bolsonaro determinam. Bolsonaro não é pauta para esses pré-candidatos, não deve ser referido a todo momento e precisa ser gradativamente apagado do cenário político brasileiro, de forma que a maior parte dos seus eleitores migre para o “centro”.
E dar a vida por Bolsonaro e passar 24 horas do dia gritando em sua defesa, abraçando a traição de Eduardo e as loucuras extremistas de Carlos? Jamais. Todos não veem a hora de Bolsonaro ir para cadeia e torcem para que isso ocorra o mais rápido possível, fazendo preces para que tudo dê certo e um desses nomes “moderados” (que de moderados não têm nada) emplaque e tenha condições competitivas de enfrentar Lula nas urnas.
Sobre os votos de Bolsonaro? Sim, eles querem muito e farão o possível para fingir fidelidade e abocanhar uma fatia deles, a maior possível. Por isso não reagem ao serem chamados de ratos. Alguns, como Zema, Caiado e Tarcísio, até dizem “entender” os xingamentos direcionados a eles pelo rebento problemático do “mito”, num sinal de vassalagem e submissão vergonhoso. É, definitivamente, tudo pelo voto.

Postar um comentário

0 Comentários