Ultimas Noticias

6/recent/ticker-posts

Reconvale Noticias | Lula deve fazer pronunciamento à nação após taxação de Trump ao Brasil a pedido de Bolsonaro

Lula se reuniu com equipe de comunicação e avalia resposta em duas frentes: uma com foco no bolsonarismo e outra em conjunto com os Brics. Defesa de Bolsonaro seria pretexto para Trump atacar proposta de desdolarização da economia mundial.
Após a guerra tarifária desencadeada por Donald Trump para "defender" Jair Bolsonaro (PL), o presidente Lula estudo fazer um pronunciamento à nação em rede nacional de rádio e TV na noite desta quinta-feira (10).
A Fórum confirmou que o pronunciamento é um dos assuntos que Lula trata com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e Secretário de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social, Laércio Portela, com quem se reuniu após despachar com o chefe de gabinete, Marco Aurélio Marcola, logo pela manhã.
O presidente brasileiro já decidiu que estará à frente do embate direto com Donald Trump, que entrou na narrativa bolsonarista para taxar em 50% os produtos brasileiros.
O entendimento é que a ação de Trump é resultante de algo que vai além da "defesa" de Bolsonaro e está relacionada diretamente a atuação de Lula como presidente dos Brics, bloco que une o Brasil à Rússia, Índia, China, África do Sul e outros 7 países do sul global.
Antes do levante com o Brasil, Trump chegou a decretar que vai taxar com adicional de 10% todas as nações que mantiverem relações comerciais com países dos Brics.
A principal preocupação do presidente dos EUA, que confessou ter observado com lupa a reunião de cúpula do bloco - ocorrida no Brasil no início da semana -, é com a proposta defendida por Lula para desdolarização as transações comerciais.
Em discurso na cúpula do bloco na segunda-feira (7), Lula afirmou claramente que a proposta está em curso.
"Eu acho que o mundo precisa encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar. Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado?", indagou Lula.
No dia seguinte, Trump reagiu a Lula dizendo que o "Brics foi criado para degenerar o nosso dólar e tirar o nosso dólar como um padrão".
"O que eles estão tentando fazer é destruir o dólar, para que outro país possa assumir e ser o padrão. E nós não vamos perder o padrão em qualquer momento. E se nós perdermos o dólar padrão mundial, isso seria como perder uma guerra, uma grande guerra mundial. Nós não seríamos o mesmo país mais. Nós não vamos deixar isso acontecer. [...] O dólar é o rei. Nós vamos mantê-lo assim, ok? E eu só estou dizendo, se as pessoas querem desafiar isso, elas podem, mas elas vão ter que pagar um preço grande. E eu não acho que nenhuma delas está disposta a pagar esse preço", ameaçou Trump.
Pretexto
Entre os cenários analisados pelo Planalto, a questão envolvendo o clã Bolsonaro foi apenas pretexto para Trump desencadear a guerra tarifária com o Brasil.
Tanto que Eduardo Bolsonaro chega a confessar na nota divulgada nesta quarta-feira (4) que a taxação não era exatamente o que vinha pedindo ao governo Trump.
"Desde o início da nossa atuação internacional, buscamos evitar o pior, priorizando que sanções fossem aplicadas de forma individualizada, com foco no principal responsável pelos abusos: Alexandre de Moraes", diz o "02" de Bolsonaro.
"No entanto, recentemente, o presidente Trump, corretamente, entendeu que Alexandre de Moraes só pode agir com o respaldo de um establishment político, empresarial e institucional que compactua com sua escalada autoritária. O presidente americano entendeu que esse establishment também precisa arcar com o custo desta aventura", emenda Eduardo, mostrando claramente que não foi em razão exclusivamente do clã Bolsonaro que Trump tomou a medida.
A avaliação do Planalto é que é preciso colocar a questão envolvendo o clã Bolsonaro à frente, até como forma de unir o Brasil em torno da reação ao ataque contra a soberania do país, que vai afetar muitas empresas brasileiras e, sobretudo, o agro, base financeira de apoio ao bolsonarismo.
O momento é propício para fazer com que esses grupos se descolem do bolsonarismo e vejam o perigo que a ultradireita representa aos interesses do Brasil e deles próprios.
Em um segundo plano, Lula deve costurar uma resposta em conjunto com os Brics, já que o objetivo de Trump é minar o bloco.
Dessa forma, uma série de temas tem sido debatidos para que seja dada explicações à sociedade brasileira por meio de pronunciamento - ou pronunciamentos - em rádio e TV.

Postar um comentário

0 Comentários