
Após perder as eleições e ver frustrada a tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL) orientou um deputado aliado a assinar uma CPI contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a barrar o PL das Fake News.
Os diálogos constam do aparelho celular do ex-presidente apreendido pela Polícia Federal (PF) em 3 maio de 2023 na busca e apreensão em razão do inquérito sobre fraudes em cartões em vacinas e foram divulgados nesta segunda-feira (28) pelo jornalista Aguirre Talento, no Estadão.
Segundo o jornalista, o conteúdo tem 7.268 arquivos. No entanto, as mensagens são referentes a uma semana antes da apreensão do aparelho. Todo o conteúdo anterior a isso foi apagado por Bolsonaro antes da chegada dos agentes. No dia 18 de julho deste ano, a PF apreendeu um outro aparelho celular de Bolsonaro, durante a busca e apreensão para cumprir as medidas restritivas, que ainda está sendo periciado.
CPI contra Moraes e PL das fake News
As mensagens, no entanto, mostram a influência de Bolsonaro sobre a bancada de deputados aliados no Congresso. Em uma das trocas, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) - que tentou reeditar os acampamentos golpistas em frente ao STF no último fim de semana - consulta o ex-presidente para saber se deveria ou não assinar um pedido de CPI contra Moraes.
"A galera tá me pressionando aí porque Eduardo, todo mundo assinou essa CPI de abuso de autoridade do TSE e do STF e eu não assinei até agora porque... eu não queria entrar nessa bola dividida, com medo de prejudicar até o senhor mesmo nas decisões lá. O que o senhor acha aí mais ou menos?”, indagou o deputado, eleito com as alcunhas de Hélio Bolsonaro e Hélio Negão.
“Eu assinaria. Sempre existe a possibilidade de retaliações”, responde Bolsonaro, recebendo como resposta em seguida: "Já assinei. kkk".
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À época, o ex-presidente também orientou o filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que hoje conspira contra o Brasil dos EUA, a pressionar pela votação do PL das Fake News diante de um quadro de que a proposta, para regulamentar as redes sociais, fosse derrubada pela oposição.
“Orlando Silva acabou de pedir para retirar de pauta o PL 2630”, diz Eduardo, sobre a proposta relatada pelo deputado do PCdoB. “Tem que votar hoje”, responde Jair. “Manifestei pela votação hoje, como líder da minoria”, respondeu o filho.
"Presidente amado"
As mensagens ainda revelam um convite do governo sionista de Benjamin Netanyahu para Bolsonaro passar 14 dias em Israel com tudo pago. O convite partiu do então embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, que o trata como "presidente amado".

Em outra bajulação, Bolsonaro informa ao ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, em 26 de abril, que se hospedará na fazenda do ruralista Paulo Junqueira, em Ribeirão Preto, para participar do Agrishow, uma das maiores feiras do agro do país.
“Ô Sachsida. Vou domingo pra lá, vou dormir na fazenda lá do Paulo Junqueira e segunda de manhã tô na Agrishow. Vamo lá, te boto lá, eu não tô mandando muito não, mas consigo te botar lá no palanque comigo. Valeu”, diz Bolsonaro, que também ficou na casa do ruralista quando fugiu para os EUA para não passar a faixa presidencial a Lula.
“Pode ir até a fazenda lá, apesar de não ser minha a fazenda, eu dou o toque lá no Paulo Junqueira pra tu entrar. Só não vai poder acho que dormir lá, o resto tudo bem. Se não der pra dormir tu dorme no chão lá com os cachorro também, da minha parte não tem problema não, tá ok. Valeu Sachsida”, emendou 4 dias depois.
As trocas de mensagens ainda mostram Bolsonaro pedindo para Tércio Arnaud, que integrou o chamado "Gabinete do Ódio" no Palácio do Planalto, checar informações antes que ele propagasse em suas redes.
Uma das mensagens diz respeito ao bolsonarista que invadiu o Planalto em 8 de Janeiro supostamente alterando o horário do relógio de Dom João VI, que foi depredado durante o ato. A imagem circulava em grupos de WhatsApp para "provar" que a depredação teria sido feita por "esquerdistas infiltrados".
“Ô Tércio, posso botar pra frente esse vídeo do relógio? Tá esquisito aí pô, tá inacreditável. Vê se eu posso botar pra frente aí”, perguntou.
O assessor então informa que se trata de "meme", pois "não tá no Google isso", ressaltando que o vídeo seria verdadeiro, mas a informação sobre infiltração de "esquerdistas" seria falsa.
Arnaud ainda orienta Bolsonaro dizendo que "tudo que você enviar sobre isso vai causar polêmica", "estando certo ou errado".


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