Depois de armarem um circo na Câmara, com direito a bandeiras dos EUA e homenagens a Donald Trump, deputados da extrema direita prometem se rebelar contra o presidente da Casa

Bolsonaristas preparam ofensiva contra Motta e ela envolve Trump.Créditos: Câmara dos Deputados/ AFP
A Câmara dos Deputados foi palco de um show patético e de clara demonstração de como a extrema direita bolsonarista pode ser qualquer coisa, menos patriota, como adoram afirmar, pois, após tentarem romper com o recesso parlamentar, os deputados da oposição se reuniram na Comissão de Segurança Pública e penduraram uma bandeira de Donald Trump, presidente dos EUA.
Porém, a intentona bolsonarista foi frustrada pelo presidente da Câmara dos Deputados que, em ato normativo, proibiu sessões das Comissões até o dia 1º de agosto, quando termina o recesso.
Revoltados, os deputados bolsonaristas desceram mais um nível no quesito entreguismo e, de acordo com informações do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, eles pretendem recorrer ao presidente dos EUA e pedir para que o Departamento de Estado cancele o visto de Hugo Motta, do mesmo jeito que ocorreu com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonarista próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou o seguinte ao Metrópoles: "O Hugo não foi subserviente aos acordos com o PL. Agora, quem sabe será ao Trump? Até porque ele não teve o visto suspenso ainda."
Outro motivo do azedume entre bolsonaristas e Hugo Motta é o fato de que o presidente da Câmara ainda não pautou o projeto que concede anistia política a todos os envolvidos na tentativa de golpe de Estado perpetrada no dia 8 de janeiro de 2023.
Bolsonaristas armam cenário na Câmara, mas Bolsonaro se acovarda e Motta barra comissão
Após interromperem o recesso - enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) curte férias na Europa - para voltarem à Brasília a mando de Jair Bolsonaro (PL), deputados e senadores bolsonaristas passaram vergonha na manhã desta terça-feira (22) após o ex-presidente se acovardar e não ir à casa legislativa por medo de ser preso.
Com 23 deputados marcando presença, a sessão extraordinária da Comissão de Segurança Pública, convocada para votar moções de apoio a Bolsonaro, foi cancelada após ato do presidente da Câmara, Hugo Motta, proibindo sessões das comissões até dia 1º de agosto, quando termina o recesso.
A horda de parlamentares extremistas já tinha deixado inclusive o cenário armado, com uma mesa preparada para entrevista coletiva com uma placa de "Jair Bolsonaro - 38º Presidente do Brasil". Com o cancelamento dos trabalhos, os bolsonaristas se dirigiram à sede do PL, onde pretendem se reunir com o ex-presidente.
"A placa com o nome de Jair Bolsonaro já estava pronta na mesa. O PL queria transformar a Câmara num palco de provocação e confronto direto com a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Era uma encenação planejada para gerar o momento da prisão — e depois gritar “ditadura”. Querem transformar a ordem democrática em espetáculo farsesco. Não passarão. Não é show, é o Parlamento. A decisão da Presidência da Casa deve ser respeitada. A extrema-direita não fará da Câmara um comitê da desordem", escreveu Lindbergh Farias, líder do PT, em publicação na rede X.
Vice líder do partido, Rogério Correia (PT-MG) divulgou foto do painel da Comissão de Segurança Pública marcando a presença dos bolsonaristas.
"Olha aí, presidente ?Hugo Motta, manda tudo que é valentão para comissão de ética. Chegaram a abrir o painel e marcar presença em reunião vedada pela mesa diretora. A extrema direita não respeita as regras democráticas, a estratégia é de golpe continuado", escreveu.
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