
Após dar chilique mostrando a tornozeleira eletrônica, gritando que é "inocente", em reunião com a horda de parlamentares extremistas na Câmara na última segunda-feira (21), Jair Bolsonaro (PL) prometeu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ficar calado até que ele decida sobre sua prisão preventiva ou não.
A promessa está destacada, em trecho sublinhado, nas explicações apresentadas pela defesa do ex-presidente sobre o ato de segunda-feira na Câmara, quando Bolsonaro teria infringindo uma das medidas restritivas, de não usar as redes sociais dele e de terceiros, para fazer qualquer declaração. O surto foi propagado pelos aliados e até mesmo pelo filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), artífice da conspiração com Donald Trump.
"De toda forma, em sinal de respeito absoluto à r. decisão da Suprema Corte, o Embargante não fará qualquer manifestação até que haja o esclarecimento apontado nos presentes Embargos", diz a peça assinada por três advogados de Bolsonaro - Celso Villardi, Paulo Amador Cunha Bueno e Daniel Tesser [leia a íntegra].
Na alegação, a defesa diz que Bolsonaro não sabia da "extensão da medida cautelar anteriormente imposta" e diz que o ex-presidente "cessou a utilização de suas redes e determinou que terceiros também suspendessem qualquer tipo de acesso".
"É notório que a replicação de declarações por terceiros em redes sociais constitui desdobramento incontrolável das dinâmicas contemporâneas de comunicação digital e, por isso, alheio à vontade ou ingerência do embargante", alega, sobre a propagação do chilique.
"Portanto, cabe esclarecer que o Embargante não descumpriu o quanto determinado e jamais teve a intenção de fazê-lo, tanto que vem observando rigorosamente as regras de recolhimento impostas por este E. Tribunal", seguem os advogados.
As alegações foram entregues na tarde desta terça-feira e Moraes deve definir nas próximas horas se aceita a justifica ou não, determinando a prisão preventiva de Bolsonaro.
Covardia
Nesta terça-feira, Bolsonaro recuou e cancelou o retorno à casa legislativa para um novo encontro com os deputados e senadores, que suspenderam as férias durante o recesso parlamentar para dar apoio ao "mito".
Deputados e senadores bolsonaristas passaram vergonha após o ex-presidente se acovardar e não ir à casa legislativa por medo de ser preso.
Com 23 deputados marcando presença, a sessão extraordinária da Comissão de Segurança Pública, convocada para votar moções de apoio a Bolsonaro, foi cancelada após ato do presidente da Câmara, Hugo Motta, proibindo sessões das comissões até dia 1º de agosto, quando termina o recesso.
A horda de parlamentares extremistas já tinha deixado inclusive o cenário armado, com uma mesa preparada para entrevista coletiva com uma placa de "Jair Bolsonaro - 38º Presidente do Brasil". Com o cancelamento dos trabalhos, os bolsonaristas se dirigiram à sede do PL, onde pretendem se reunir com o ex-presidente.
"A placa com o nome de Jair Bolsonaro já estava pronta na mesa. O PL queria transformar a Câmara num palco de provocação e confronto direto com a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Era uma encenação planejada para gerar o momento da prisão — e depois gritar “ditadura”. Querem transformar a ordem democrática em espetáculo farsesco. Não passarão. Não é show, é o Parlamento. A decisão da Presidência da Casa deve ser respeitada. A extrema-direita não fará da Câmara um comitê da desordem", escreveu Lindbergh Farias, líder do PT, em publicação na rede X.
Lindbergh ainda divulgou uma publicação que mostra os boslonaristas segurando uma bandeira onde se lê "Trump, make américa great again" dentro do Congresso Nacional. Presidente dos EUA, Donald Trump decretou uma guerra comercial contra o Brasil.
Da Europa, onde curte férias com a família em meio ao caso gerado pelo pai e o irmão no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou em publicação às 19h22 desta segunda-feira (21) na rede X um dos pilares da articulação que poderia levar Jair Bolsonaro (PL) à prisão.
"Nas próximas horas vou protocolar mais um pedido de impeachment de Alexandre de Moraes no Senado", escreveu o senador, que emenda que "a espinha de peixe na garganta do Brasil precisa ser retirada".
O golpe 2.0 articulado por Bolsonaro - que está prestes a ser preso como líder da intentona que resultou no quebra-quebra do 8 de janeiro de 2023 - teve início após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impor uma série de medidas restritivas ao ex-presidente, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, na última sexta-feira (18).
Recluso, o ex-presidente passou o fim de semana ao telefone com aliados e conversou com Ciro Nogueira, presidente do PP e articulador da federação com o União que resultou na maior bancada da Câmara com 104 deputados e 14 senadores, Silas Malafaia e o pupilo do guru, o líder do PL na casa legislativa, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
Ficou decidido que a bancada bolsonarista aproveitaria o recesso parlamentar para transformar a Câmara no quartel-general do novo levante golpista. Coube a Sóstenes recrutar a bancada bolsonarista e receber cada deputado fazendo cena com a bandeira do Brasil.
Em peso, deputados do PL e do Novo - além de nomes mais radicais de partidos do Centrão - desembarcaram na capital e se dirigiram nesta segunda-feira (21) à Câmara para um encontro com o líder, Jair Bolsonaro.
No convescote golpista, Bolsonaro teria orientado os senadores que entrassem com novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Coube a Damares Alves (Republicanos-DF) o papel de garota de recado para anunciar que "decidimos que a pauta do Senado será o impeachment do senhor ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre".
"Será a pauta que a oposição vai trabalhar nos próximos dias", anunciou Damares às 17h33 em meio ao recesso do legislativo, prenunciando a saraivada de requerimentos contra o ministro do Supremo no Senado.
Na reunião em que foi decidido tornar a Câmara o QG do golpe 2.0, Bolsonaro e aliados formaram três "comissões" para dar início à batalha sangrenta contra as demais instituições brasileiras e jogar o país no caos - juntamente com a guerra comercial desencadeada por Donald Trump - para, assim, livrar o ex-presidente da prisão.
A primeira comissão, de comunicação, é liderado por Gustavo Gayer. Um dos maiores propagadores de mentiras da horda nas redes, o deputado goiano é investigado por um suposto esquema de corrupção com cota parlamentar, enfrenta denúncias de discriminação racial e discurso de ódio e já foi condenado por assédio eleitoral e fake News contra Lula.
Gayer será o responsável por comandar uma reedição de gabinete do ódio, proliferando mentiras, discursos de ódio e informações distorcidas com o objetivo de criar pânico na população e incendiar pautas na mídia liberal, tirando o foco da ação principal. Coube a ele levantar a hashtag Reaja Brasil, que está ganhando corpo na manhã desta terça-feira na rede X.
Ele terá auxílio da segunda comissão, comandada pelos deputados Zé Trovão (PL-SC) e Rodolfo Nogueira (PL-MS), que têm por objetivo voltar a mobilizar extremistas para irem às ruas, a exemplo do que aconteceu após às eleições de 2022, com bolsonaristas acampando em frete aos quartéis. A ideia é já formar uma mobilização que, segundo estimativas deles, deve ser fortalecida caso Bolsonaro seja preso.
"Por ele que fez por nós, seguiremos a luta pelo povo que não merece ser escravizado! Seguimos firmes contra o ditador e o comunista, em defesa do Brasil", publicou Zé Trovão, que tem uma extensa ficha criminal, ao dar início à missão nas redes.
Já Rodolfo Nogueira, que é presidente da Comissão de Agricultura e membro da bancada ruralista, buscar apoio dos antigos aliados do "agro", um dos setores mais afetados pela taxação de Trump - que os bolsonaristas tentam encampar a narrativa de "tarifa-Moraes".
"A maior injustiça da história! Não nos calaremos", escreveu Nogueira em foto ao lado da tornozeleira de Bolsonaro nas redes.
A terceira "comissão", de articulação interna na Câmara e no Senado, será comandada pelo PM Cabo Gilberto (PL-PB), que deve negociar o apoio e emparedar parlamentares do Centrão a aderirem ao novo golpe. Ele deve dividir a missão com o próprio Bolsonaro, que negocia com o comando dos partidos, como a conversa que teve com Ciro Nogueira.
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