Liderança nacional do PT diz que acordo na Bahia só não será revertido se Wagner não quiser e aliado vaticina: Rui está “carbonizado”


Além de ter provocado revolta em praticamente toda a seção baiana do PT, a decisão das duas principais lideranças do partido no Estado de cederem a cabeça da chapa ao governo ao senador Otto Alencar (PSD) causou perplexidade nacionalmente na sigla e só não será revertida se o senador Jaques Wagner (PT) não quiser.
A opinião é de um dos mais importantes quadros nacionais do partido e foi manifestada com exclusividade a este Política Livre no sábado à noite em Salvador, onde se hospedou. Segundo a mesma fonte, não procede a informação de que o ex-presidente Lula estaria por trás do acordo que levou Wagner a desistir de concorrer.
Ela contou que em nada o arranjo feito na Bahia atende às necessidades eleitorais do ex-presidente, muito popular no Estado e plenamente ativo nas articulações que visam a levá-lo de volta à Presidência da República. Disse ainda ter se espantando com a reviravolta que tirou Wagner do páreo porque várias dificuldades haviam sido superadas.
A mais importante delas foi o auto-convencimento da mulher do senador petista, Fátima Mendonça, quanto à importância da candidatura do marido. Definida por ele como alguém que pensa a política e cujas opiniões são respeitadas por Lula e os principais quadros do PT, Fátima, inicialmente, opôs resistência à candidatura.
Mas teria acabado concluindo que não fazia sentido criar dificuldades para um plano essencial para evitar o enterro ‘precoce’ do projeto do partido, a caminho de completar 16 anos no governo, segundo a mesma fonte, sem sinais de fadiga de material, um dos fatores responsáveis pela derrota de grupos que estão no poder há muito tempo.
O líder do PT disse que, nacionalmente, o partido não faz reparos ao fato de a bola ter sido passada para Otto, cuja conduta em relação à agremiação na Bahia e no plano nacional, como parlamentar, sobretudo com Lula, é chamada por todos, segundo ele, de impecável. Mas garante que o desfecho ocorrido no Estado só agradou a um petista.
Sem querer responsabilizar diretamente o governador Rui Costa (PT) pelo acordo, por causa da sua decisão de concorrer a qualquer custo ao Senado, o que eliminou a principal pré-condição colocada por Wagner para disputar de novo o governo, o petista admitiu que, ao impor “seu projeto pessoal”, Rui atropelou o senador do PT.
E, assim, tirou-lhe as condições de manter a candidatura. Neste ponto, um deputado baiano que é seu amigo pessoal, o acompanhou desde o início da entrevista e mantinha-se calado, resolveu intervir e declarar com todas as letras: “O amigo pode colocar aí. No PT da Bahia e nacionalmente, Rui está carbonizado!”
Política Livre

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