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Ricardo Eletro pede recuperação judicial e fecha suas 300 lojas



A varejista Máquina de Vendas, controladora da rede Ricardo Eletro, protocolou nesta sexta-feira um pedido de recuperação judicial. A companhia, que tem dívidas superiores a R$ 4 bilhões, também anunciou o fechamento de suas 300 lojas físicas.
A empresa foi a 22º maior varejista do país no ano passado de acordo com o ranking elaborado pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado), com receita anual estimada em R$ 5,5 bilhões. No mesmo ranking, em 2011, ela estava em 5º lugar.
A Máquina de Vendas já passava por dificuldades financeiras há anos, e estava em recuperação extrajudicial desde 2019. Os principais credores da empresa são os bancos Bradesco, Itaú e Santander, a fornecedora Whirpool, o fisco e a gestora de fundos Starboard.
– Vínhamos em uma crescente até o início do ano, mas fomos pegos pela pandemia. Não temos acesso a crédito, e foi frustrante para a gente o governo não ter uma solução para as empresas – disse o sócio e presidente da empresa Pedro Bianchi.
Segundo o executivo, a companhia demitiu 3.600 funcionários nesta semana devido ao fechamento das lojas físicas, que é definitivo. A empresa manteve 900 empregados.
– A gente entende que haverá uma retração de demanda grande no segundo semestre e não conseguimos manter os custos fixos de aluguel, salários.


Segundo Bianchi, a Máquina de Vendas quer usar R$ 125 milhões que tem depositados na Justiça para pagar a rescisão dos demitidos. O montante, diz o executivo, é suficiente para quitar o passivo com os recém-dispensados.

Com o fechamento das lojas, a empresa passaria a atuar nos canais digitais, que historicamente representam uma fatia menor da receita de varejistas. Também pretende intensificar parcerias com pessoas físicas e empresas para desenvolver o modelo de vendas diretas, em que consultores usam a marca como plataforma de venda e fornecedora.
Em julho, seu fundador e ex-controlador Ricardo Nunes foi preso em operação do Ministério Público de Minas Gerais que investiga sonegação de R$ 387 milhões de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O sócio e diretor financeiro da empresa, Pedro Magalhães, também é investigado.


A promotoria mineira investiga também se Nunes, que deixou de ser acionista da companhia no ano passado, ainda controla a empresa de maneira indireta, o que é negado pela Máquina de Vendas.

Hoje, a companhia é controlada pela MV Participações, que teve Nunes como diretor até 9 de outubro de 2019. Na mesma data, Pedro Bianchi, atual presidente da empresa, e Pedro Magalhães, assumiram a holding. Segundo Bianchi, cada um detém 50% de participação. Com informações do jornal O Globo.

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