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A perda da identidade cultural do Carnaval de Salvador está afastando os turistas


Segundo revelou uma pesquisa da Decolar, Rio de Janeiro e Salvador foram desbancados por São Paulo como a cidade mais procurada para o Carnaval 2020. “São Paul retomou o Carnaval de rua – como antigamente -, com segurança e a preços mais baixos”, disse-me paulistano. Problemas com segurança pública, falta de água e alto custo podem ser a principal explicação para a perda de status do Rio de Janeiro, que caiu de 2° para 3° lugar no ranking de destinos mais disputados para o feriado em 2020. Em comparação com a capital carioca, Salvador, no entanto, que caiu de 1° para 2° lugar, não aparece na imprensa como um destino com tantos problemas. O que explica essa queda da maior festa de rua do planeta? Recorro à principal atração do Carnaval de Salvador para explicar este declínio: o aspecto cultural. Por décadas, o carnaval baiano foi símbolo de identidade cultural, com sua musicalidade particular e sua estética mágica e original. Ir ao carnaval de Salvador, além de ser uma imersão profunda na diversão, era mergulhar nos sons, nos ritmos, nos cheiros, na cor, nos sorrisos e nos sabores da Bahia. Por mais que as grandes produtoras estaduais neguem, mas o Axé e o Carnaval da Bahia foram elitizados. Além disto, o Axé perde cada vez mais palco para lançar novos artistas, tanto na capital, quanto no interior. Neste cenário, a Bahia apresenta cada vez menos atrações empolgantes para o público, algumas das quais com pouca identidade cultural e com apresentações a preços para “gringo ver”. O mercado impõe e atrações nacionais tomam cada vez mais espaço, tornando o Carnaval de Salvador um evento com apresentações multiculturais e da moda. O resultado é, não somente o esbulho do povo na festa, mas também o afastamento do turista. Afinal, como ouvi de um turista: “O carnaval da Bahia não é mais como antigamente”.

Felipe S. Sales
Arqueólogo e Gestor Ambiental 
                     Fonte : Avozdocampo.com

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