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Por pouco quase há acidente em filmagens na Rocinha

Por pouco quase há acidente em filmagens na Rocinha

Cenas de um filme, dirigido por Castelo Branco e Rayssa de Castro, teriam sido cortadas brutalmente caso a polícia militar não fosse avisada.

Na tarde desse último domingo (11), o batalhão da polícia militar, na entrada da Rocinha, foi acionada por uma denúncia anônima de que 12 bandidos fortemente armados haviam invadido um morro residencial na parte baixa da Rocinha e adentrado a casa de um morador.

O que a polícia não imaginava é que o caso se tratava das filmagens do primeiro longa de Rayssa de Castro, O Lado Bom da Rocinha, cuja direção divide com Castelo Branco - um artista e cineasta emblemático da Rocinha, com um filme já no curriculo - 'Facções', além de prêmios com outros projetos.

A produção comunicou que já era o terceiro final de semana que rodavam várias cenas ali, por autorização da Polícia Civil, e que nada parecido havia acontecido até então. Já nessa última gravação, pelas 17 horas da tarde, os políciais já estavam em posição de ataque ao pé do morro. Ao ver todo o batalhão, um morador, que passava, ao saber, explicou a situação, levando dois policiais ao local.

"Eles já estavam subindo em comboio pela mata que dá acesso ao local da gravação, já preparados para abater os atores que, no caso, a denúncia foi dada como 12 bandidos que invadiram o local", conta Castelo Branco, Diretor do filme. "Se o morador não tivesse avisado, que era uma filmagem, teríamos uma chacina. Não tem como agradecer ainda este gesto", finalizou.

Moradores, turistas e visitantes que passavam nos arredores se espantaram com tamanha a movimentação policial.

"Os policiais foram gentis, educados, lá no posto policial", conta Rayssa de Castro, idealizadora do Filme e co-diretora. "O Castelo assinou o documento e logo já estava tudo bem" e enfatiza "Estamos aqui para assumir qualquer pepino, porque estamos à frente. É um projeto sério que queremos levar para todo o mundo. O LADO BOM DA ROCINHA fala sobre os trabalhadores e moradores que tem sonhos e desejos de mudar de vida e a gente não vai parar, não tem ninguém que pare".

"Enfim, eu assinei tudo lá, aquele morador que explicou a situação assinou também, reforçando que não passava de um filme e que estava tudo legal. Nós tiramos fotos com os policiais para registrar, mas não fomos autorizados a veícular as imagens por preservação, daqui há 40 anos alguém vai pesquisar isto", concluiu Castelo.

A vida real imitando a arte ou a arte imitando a vida real?

O LADO BOM DA ROCINHA - O FILME

Independente, baseado em fatos reais, conta o cotidiano da comunidade e seus conflitos numa cidade onde o crime prevalece e deixa uma cidade inteira refém do medo, mas nem tudo está perdido. Nesta comunidade é contada a historia de uma criança e seu sonho de atuar e parte para a luta para fazer a diferença e montar uma compania de teatro. Assim, resgatando todas as crianças da favela para não se envolverem no crime.

O público se vê passeando pelo universo destas vidas, indo de encontro com a realidade, porém muito mais triste do que não imaginam.

"O longa vem de contra mão a tudo o quê você já ouviu falar sobre favela, a realidade nua e crua, porém como nunca foi vista antes, o lado bom da comunidade", conta Rayssa de Castro. "O nosso mote fundamental é mostrar este lado de gente como a gente que sonha e luta por seus ideais e sua sobrevivência no mundo, o que nos leva a refletir sobre a desigualdade do nosso País. O filme mostra que todos apenas precisam de oportunidades e toda história individual tem um lado bom".

Rayssa de Castro também faz um papel no filme, interpretando Claudia, mãe drogada, que faz tudo por seu vícios, desestimulando a filha de viver e sonhar. O filme também marca a volta da atriz Jussara Calmon ao cinema nacional.


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