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Bolsonaro quer um Brasil que cheira a pólvora e a morte




Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia - O Brasil pensado e idealizado por Jair Bolsonaro cheira a pólvora, remete à crimes, sabe amargo a desgraça. É esse Brasil que está descendo a ladeira com a enxurrada de armas de fogo que o governo inconsequente que no momento comanda o País quer promover com o seu “decreto da morte” que “flexibilizou” a compra e a posse de armas.

A farra das armas que se vê constitui uma insanidade que alcança uma parcela assustadora da população brasileira. São advogados, jornalistas, atiradores esportivos, colecionadores, menores de 18 anos – basta o “responsável” dizer que ele pode, e ele estará habilitado para se armar. Está ficando muito cara a fatura paga à indústria armamentista, patrocinadora histórica de políticos como o atual presidente da República.

Na noite desta sexta-feira (31), o Jornal Nacional, da Globo, trouxe casos de réus por porte e posse ilegais de armas entrando com recursos na Justiça já por conta do decreto de Bolsonaro. Segundo o noticiário, já existem nove pedidos de relaxamento de penas relativas ao crime, em São Paulo e em Minas Gerais. Estado onde três pessoas presas tentam obter a absolvição, tudo com base no que determina o decreto.


O site G1, do grupo Globo, lembra que esses pedidos estão calçados em mudanças feitas pelo decreto 9.785/2019, que foi assinado pelo presidente e pelos ministros da Justiça, Sérgio Moro, da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. São essas mudanças:

“Armas que eram consideradas de uso restrito passaram a ser consideradas de uso permitido; algumas categorias de trabalhadores passaram a não precisar comprovar "efetiva necessidade" para ter porte de arma, como caminhoneiros, advogados e jornalistas que cobrem polícia; caçadores, atiradores e colecionadores podem transportar arma carregada até o local de tiro”.

A Taurus, maior empresa de armas com atuação no Brasil, comemora, por sua vez, o sucesso da empreitada. Suas ações sobem vertiginosamente a cada anúncio que o presidente profere, em sua ânsia maluca que ver o país pegar fogo e, com isto, ficar em paz com os seus patrocinadores.

É o presidente que odeia professores e alunos; que sonha com um ministro evangélico no STF, a Corte que criminaliza a homofobia e com isto desespera o governo e sua base “cristã” (com todas as aspas); que lamenta profundamente não ter nascido nos Estados Unidos; que quer vender o patrimônio nacional a preço de mangaba; que quer eliminar as conquistas trabalhistas e impedir a aposentadoria dos idosos. É o presidente que quer armar a população e inaugurar um país em estado de guerra.

Quem torce para o Brasil dar certo só pode torcer para Bolsonaro dar errado. Não dá para se ter as duas coisas juntas. Está cada vez mais claro que vale a primeira.

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