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Vitória de Bolsonaro pode dificultar repasses de recursos para a Bahia, acredita cientista político


Avitória do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL) em apenas três cidades da Bahia e a forte oposição do governador Rui Costa (PT) podem dificultar o repasse de recursos federais para o estado. A avaliação é do cientista político Joviniano Neto. No entanto, ele ressalta que o petista, por possuir aliados no Congresso que “vão da esquerda à direita”, poderá ter mais musculatura para pressionar o governo. 


“A Bahia foi o estado onde o PT venceu com maior margem, o que já o coloca como capacidade como centro de resistência. Essas verbas discricionárias podem ser mais difíceis de vir para a Bahia. Mas as alianças de Rui vão da esquerda à direita, o que pode levar algum tipo de pressão ou negociação a favor da Bahia”, avaliou.

Sobre a oposição, o especialista acredita no fortalecimento do prefeito ACM Neto (DEM) e de seus aliados. “Existe uma certa identidade ideológica entre o DEM e as propostas de Bolsonaro. E aqui os partidos de oposição votaram nele. Mas qual a alternativa para a oposição e para ACM Neto?”, disse.


Números

Para Joviniano Neto, o número de abstenções – mais de 31 milhões em todo o Brasil e mais de 2 milhões na Bahia – não surpreendeu. 

“Em termos de abstenção, na Bahia foi quase a mesma que no primeiro turno. Teve uma série de fatores: muitos eleitores já tinham votado, para seus deputados, e não se mobilizaram tanto para presidente”, pontuou. 

“Além disso, a posição do TRE na Bahia contribuiu para a abstenção. O sistema de divulgação do recadastramento biométrico foi ineficiente. 500 mil pessoas não se recadastraram na Bahia. Não houve uma mobilização do TRE. Essa é uma questão. Mesmo assim, a Bahia deu uma votação importante”, prosseguiu. 

“A nível de Brasil, entrou outro fator, que foi a polarização. Teve muita gente que não queria saber da ‘roubalheira do PT’. Por outro lado, as posições de Bolsonaro atingiram muita gente. E isso leva muita gente a anular o voto. Muitas pessoas recusaram a polarização”, acrescentou.

Em relação aos votos válidos, o cientista político acredita que Bolsonaro saiu na frente por um conjunto de fatores: “Ele é candidato desde 2015, e fez utilização competente das redes sociais. Boa parte dos partidos políticos, principalmente o PSDB, não percebeu a importância disso e apostou no horário de TV e nas alianças com partidos”, avaliou. 

Além disso, ele aponta que com a crise provocada pela queda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o “derretimento” de Aécio Neves (PSDB), derrotado no pleito de 2014 e atingido por delações da JBS, “abriu-se um vácuo, onde Bolsonaro entrou e apelou a pulsões básicas do eleitorado: preocupação com a violência, a insatisfação com as mudanças comportamentais em termos sociais e morais e a onda contra a corrupção, com uma ‘memória’ de que na Ditadura não havia isso. Mas havia, só que a censura não deixava passar”.

Futuro

Bolsonaro tem agora o desafio de pacificar um país divido e marcado por tensão e até conflitos políticos. Segundo Joviniano, a postura inicial do presidente eleito e de sua equipe será determinante. 


“Se Paulo Guedes colocar o que ele já promete, como a reforma da Previdência, vai aumentar a reação. Vai depender da pauta inicial. Vamos ver se contra o estilo dele vai investir na pacificação”, disse.

Composição

De acordo com o historiador político Carlos Zacarias, o capitão reformado deverá explicar por que trará políticos tradicionais para o governo. Onyz Lorenzoni (DEM) irá para a Casa Civil. “O PSDB deve rachar, não acredito que o partido vai caminhar unido no governo Bolsonaro. Teve uma derrota nacional muito grande. Então há a possibilidade de o PSDB cindir e haver um novo arranjo partidário”, disse, em entrevista à rádio Metrópole.

Ainda de acordo com Zacarias, a gestão de Bolsonaro atenderá às expectativas do mercado financeiro. “A reforma da Previdência deve ser encaminhada logo no início do governo. E precisamos saber como o eleitor dele vai reagir a isso”, acrescentou.
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